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11/11/2019

Sobre ignorância, maldade e desinformação

Ilustração: Michele Rosenthal
Sabe quando sua mãe dizia “não minta que é feio”? Pois é, você mentiu para sua mãe. Você não aprendeu direito que é feio inventar histórias que machucam outras pessoas, e não aprendeu que, se você não sabe sobre o que está falando, muito provavelmente seja melhor aprender sobre o assunto, e nunca ser motivado pelo ódio e pela ignorância (da violência e/ou da falta de informação).

Atualmente neste nosso Brasil – e esse “atualmente” não é de agora –, a desinformação causa estragos que perduram anos; estragos que vão desde a mágoa, inverdades e maus-tratos contra uma pessoa que causa seu sofrimento até a mentira e manipulação coletiva que põem em risco inúmeras pessoas. E quando você espalha mentiras e desinformação (fake news) em suas redes sociais, você está causando estes males. A ânsia, aquela vontade quase incontrolável de tirar alguma coisa de dentro de você pode fazer seus dedos coçarem para clicar em “compartilhar” tudo o que vê sem mesmo ler ou saber do que se trata. Mas isso demonstra apenas sua falta de informação sobre o assunto. Não que você seja um ignorante maldoso... apenas falta-lhe um pouco de bom senso e clareza, e isso não é de todo ruim, e nos mostra dois caminhos: primeiro, falta-lhe informação e, segundo, pergunte sobre o assunto, se informe em fontes confiáveis e não vire uma máquina de compartilhamento desenfreada sem o mínimo de critério e prudência. Não crie o terror na cabeça das pessoas com desinformação, mentiras e exageros. Essa manipulação é prejudicial para todos.

Quero citar um exemplo atual: o Supremo Tribunal Federal (STF) em sua recente decisão que chocou alguns e agradou a outros. O que há no caso do ex-presidente Lula? Existiu uma condenação arbitrária que o prendeu (passando por cima da Lei maior, a Constituição) e existiu, recentemente, a libertação do mesmo após 1 ano e 7 meses. Existiu, também, uma condenação sem provas e com julgamento tendencioso, e existiu o cumprimento da Constituição ao libertarem-no. Perceba, não se trata de defender ou acusar Lula ou STF: estou usando o fato recente e de grande visibilidade como exemplo para explanar o que está acontecendo, e você pode pensar neste exemplo utilizando você e seus amigos e parentes no lugar do ex-presidente e a PM e Juizado no caso do STF.

Voltemos à ideia da ignorância, maldade e desinformação. Vemos uma chuva torrencial de postagens nas redes sociais sobre a decisão do STF: pessoas urgindo pelo fechamento do mesmo, espalhando mentiras e criando terror “datenesco” (estilo Datena) por toda parte. É preciso lembrar que o STF não mudou a Constituição e não criou lei para libertar ninguém. É preciso lembrar que, ao condenar e prender sem julgamento apropriado, aí sim se feriu a Constituição. Seria como você ou aquele seu amigo ou parente ser preso sem julgamento e passar meses ou anos na cadeia tentando provar sua inocência enquanto sua vida se esvai socialmente. E, mesmo depois de muito tempo, a Justiça assumindo seu erro de julgamento e libertando você pelo princípio da inocência (que fora descartado quando o prenderam inadequadamente), não sairão com você uma centena de presos perigosos. Estupradores e assassinos, por exemplo, possuem prisão preventiva decretada justamente por representarem risco eminente à sociedade pelo ato que realizaram, e não serão libertados a toque de caixa. Isso é uma desinformação, é mentira, e uma mentira maldosa que pretende tirar sua visão sobre a Constituição (nossa Lei Maior) querendo apenas fazer terrorismo digital para transformar essa ou aquela pessoa em bandido. Seria o mesmo que, no nosso exemplo, você tendo sido preso erroneamente e sem julgamento, sofrer ameaças constantes da sociedade para continuar preso, pois se você sair soltarão também todos os assassinos do Brasil, por sua causa, por conta de sua liberdade. E para “justificar” essa desinformação e mentiras maldosas, usam de notícias falas, notícias velhas e erros judiciais recorrentes (pois, existem, sim) sobre algumas situações, e tentam fazer você acreditar que a decisão do julgamento, da votação, baseada na Lei e respeitando, desta vez, a Constituição, fora errada. Por quê? Por que desde o começo você estava acostumado com o desrespeito à Constituição, como quando você vê alguma situação errada em seu local de trabalho e se pergunta o motivo de fazerem errado, e a resposta é “sempre foi assim”. E fazer a coisa certa do jeito certo se torna errado e ameaçador; e ninguém mais aceita, pois se acostumaram ao erro.

Enfim, de repente, você não mentiu para sua mãe quando ela lhe disse para não contar e não espalhar mentiras. De repente você apenas se esqueceu o quão ruim para si mesmo e para todos é sair por aí jogando conversas ao vento para ver quem atinge. Provavelmente, é só um pouco de preguiça deixando o bom senso de lado. Quando vir ou ouvir um conteúdo sobre qualquer assunto que você desconhece, pois a gente não sabe tudo, procure pensar um pouco sobre o que isso significa e o que a pessoa que está falando está tentando fazer. Talvez você possa parar de compartilhar tanta desinformação e fake news e deixar sua mãe orgulhosa. Talvez você ganhe um grande pedaço de bolo de chocolate com cobertura no final do dia e solte um sorriso por ter sido uma boa pessoa.


11 de novembro de 2019
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28/01/2018

Fragmento (104)


Já escrevi isso antes, mas não lembro quando ou em qual contexto. O que eu sei é que preciso de uma noite de sono, uma noite inteira e boa. Sem nada além do sono que me faça apagar. Sem que o dia seja um apanhando de flashes que eu não consigo somar e trazer um momento fixo. Sem que a noite não seja uma dúvida sobre o real ou o ilusório. Preciso dormir para saber se eu realmente acordei no dia seguinte, sem essa dúvida que me faz pensar se o que aconteceu realmente aconteceu e se hoje é mesmo o hoje. Não sei bem se é culpa minha ou se é coisa dessa rotina de dias com apenas vinte e quatro horas. Entre quatro paredes tudo muda, a cama, a cabeceira agora com napa vermelha, tudo em madeira rústica... e eu não sei se fui eu que fiz, porque o tempo passa e eu não vejo passar. Não há conquista e não há com quem partilhar o que acontece. Não há registro. Só este sono que não vem naturalmente. Só estes fragmentos de dias fragilizados e os segundos no relógio que marcam a saudade. E o tempo passa para todos, menos para mim. Dormir e acordar no mesmo dia, como naqueles tempos congelados e solitários no apartamento 01 da 1481. Tudo é fragmento, e tudo o que eu mais queria é uma noite de liberdade e um dia de permanência.

28 de janeiro de 2018, 02:59hs. Domingo.

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Crônica 68 - Tramp stamp... e meu coração de menino


Tramp stamp. Tramp stamp. Tramp stamp. Foi isso o que eu pensei quando entendi o significado. Foi o que pensei quando ela me disse que tinha uma tatuagem num lugar especial. “Uma tatuagem de piranha”, com certeza. Foi isso o que eu pensei. “Deve ser uma dessas tatuagens de borboleta ou, pior, de golfinho, ou, pior, de passinho gordinho ou estrelinhas formando um triangulo sobre as nádegas ou, pior, uma seta na lombar apontando para baixo com alguma legenda do tipo ‘entre sem bater’ ou ‘caminho da felicidade’... ou, pior, ‘a estrada para o inferno’”; para a qual você se pega olhando na hora H. Sinceramente, para mim pouco importa, já que essa é a posição que eu menos gosto... e eu gosto de luz acesa. Enfim, é no que eu penso quando ouço ou vejo uma mulher com tatuagem no cofrinho. Tramp stamp. Tatuagem de piranha. E essa história é sobre essa garota por quem eu me apaixonei ao som de Motley Crüe ou qualquer coisa assim.


Estávamos lá, nos olhamos, ela sorriu, e começou aí o ritual. Todo aquele ritual que é um saco quando se está de saco cheio de todo esse ritual. Deve ser por isso que muita gente se envolve com gente do passado, porque já pode pular essa fase – ou ser uma fase muito menor – de rituais que podem durar dias. Mas é isso aí: estávamos lá, nós dois, nos olhando e sorrindo, e eu pensando o quanto seria bom ganhar dela um beijo, contornar meu braço num abraço sentindo sua coluna e, na melhor das hipóteses, acabar os dois suados, respirando com dificuldade e secos por um gole de água ou um suco de laranja bem gelado.


Ela me disse que já havia me visto por ali, o que achei estranho, pois há anos eu não passava nem perto dali. Nos últimos meses, então, evitei ao máximo. Mas teve um dia que resolvi entrar e pedir um café.

― Mas é verdade mesmo, fazia tempo que eu não te via por aqui.

― Passei um período fora. – respondi.

― E agora ficou com saudade?

27/01/2018

Mercado Editorial Nacional – Parte 1


Aqui vai uma dica para você escritor iniciante e escritores que buscam espaço e contrato com editoras: Editora que cobra a “produção” e “publicação” do seu livro, não é editora, é prestadora de serviço gráfico. A esmagadora maioria está preocupada apenas em oferecer o serviço de impressão (entre outros), ganhar a grana e te pagar 10% do valor de capa, sendo que todo o trabalho de divulgação e venda (na infinita das vezes) é do próprio autor.

Existe o escritor independente que não publica livro físico, existe o independente que publica por conta própria e existe o independente que está vinculado à alguma editora pequena.
Existe editora pequena, existe selos pequenos de editoras médias, existem editoras grandes. Para entrar nas grandes é uma tarefa (quase) impossível, pois elas trabalham com livros do mercado externo, os blockbusters que vendem muito e que se transformam em carro-chefe no Brasil. Quase nunca trabalham ou dão chance para editores nacionais (com raríssimas exceções). “Editoras” pequenas que prestam serviço gráfico – normalmente essas que ficam te mandando e-mail ou te chamando pra conversar no Facebook dizendo que você tem potencial, são apenas empresas que vivem de serviços gráficos, não de literatura, e nunca de seu nome e qualidade enquanto autor.

Dica dois: Se você realmente acredita que escreve bem – porque todo mundo se acha escritor ou artista ou qualquer coisa hoje em dia – e acredita que seu trabalho mereça ser reconhecido a nível nacional/internacional, contrate um agente (que também é outra vida pra conseguir, sendo que a maioria trabalha nos moldes das grandes editoras no mercado internacional). Mas, também, invista em publicação independente para sentir o “mercado”, tentando vender você mesmo seus livros com suas redes de amigos e contatos. Estude muito bem as propostas de editoras pequenas para não se frustrar (muito, muito mesmo) e acabar deixando de lado sua “vocação”.

Investimentos:
Publicação independente: Todos os custos são do autor. Mas, o retorno do investimento também é só do autor.
Editoras pequenas: Grande parte do trabalho gráfico do autor “em conjunto” com a editora. O autor recebe (ou uma quantidade de livros) ou 10% do valor de venda. Todo o trabalho de divulgação, inclusive de vendas, é do autor. Pois, essa “editora” não vai fazer muito esforço por você.
Editoras grandes: São sempre uma grande interrogação. Pois, nunca estão disponíveis para análise de original, ao mesmo tempo que dizem que o mercado literário nacional está crescendo (mercado nacional de consumo de livros – em sua grande maioria – estrangeiros).

Enfim. Essa é uma discussão que gera páginas e muitas horas de conversa. Espero que exista gente interessada e fico à disposição.
Em outras postagens vou esmiuçando melhor cada tema.
Forte abraço a todos. Que a literatura sobreviva. Let’s Rock, motherfuckers!
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27/12/2017

Eu sou o poema que não rima

Tão difícil quanto olhar ao espelho, aquele reflexo de alguém que normalmente não se reconhece, tão frágil e ao mesmo tempo repleto de cicatrizes. A maioria não aparece. Mas estão lá, todas elas, aos montes, profundas, abertas. Difícil refletir seu próprio semblante, difícil refletir o brilho dos seus olhos já opacos pela quantidade aterradora de pensamentos confusos que esmagam seus sorrisos. Ninguém sabe ao certo quem está olhando para quem. Mas, o reflexo não mente. Por isso pouco se reflete. Preferimos as mentiras. Passar os dias contando quantas vezes se nasce e se morre nessa vida. Quantos milagres fazemos dia após dia e nos negamos a dizer que não foi nenhum deus que nos ajudou. Quantas recordações e momentos extraordinários de uma vida que se consome a cada piscar de olhos. Quantas maravilhas, felicidades e lamentações. Temos um prazo de validade, e nos assustamos quando a data se aproxima. Temos tristezas e deixamos as lágrimas jorrar para apagar o fogo sufocante que queima o coração.

Uma paixão inesquecível, um grande amor, um desejo hercúleo sobre os ombros e a vontade titânica de sair correndo a procura de alento em braços quentes e reconfortantes, em lábios suculentos, em cheiro de pele matutina sob lençóis translúcidos. E a fuga. A necessidade. O pecado e a falta de perdão por escolhas amedrontadas que futuramente parecerão piadas de mal gosto. A escrita que registra fatidicamente a sanidade e ao mesmo tempo contradiz a realidade. Essencialmente inocência. A maldade pelo querer o bem, e nada se consagra, pois tudo se atreve a cair como pedras em um abismo. Nada se perpetua. Nada se eterniza. Uma pena. É triste. E eu sou este que escreve e que não gosta do que lê. Aquele que, ao mesmo tempo em que quer fazer valer a pena acaba deixando a desejar, pois o tempo passa e nada mais importa: somente a permanência do sorriso e da presença. A liberdade poética e literária de um clichê que dilui a angústia em pedras de gelo.

E a vida?, você pode perguntar. E a vida? A vida é o que acontece quando não estamos prestando atenção. Essa frase não é minha, eu acho. Esse é o problema. Faltam as fontes e as referências que com o tempo se perdem em quantidades industriais de páginas e mais páginas, de dar câimbra nos dedos. Toda a alma. É toda a alma. Não saber mas quem somos faz parte do jogo da vida, pois sempre nos perdemos meio a transformações que acontecem sem que percebamos. Quando vemos, pronto: tudo diferente, e tudo o que mais se quis se afasta ficado cada dia mais para trás, numa distância colossal de um horizonte monocromático, que perde a cor gradativamente até o zero absoluto, sem cor, sem contraste, sem o reflexo da lua. Eu perdi o jeito. Perdi o rumo, o caminho, os tijolos dourados e as migalhas de pão comidas pelos pássaros. Dançando na areia como aquela pequena dançarina. E se percebe que é areia movediça, e quanto mais se dança, mais se afunda alegremente. Os dedos se movem com velocidade numa conexão fantástica entre o cérebro e as mãos. Falta de atenção, nenhuma. Total. O tempo todo. A súplica: súbita! A falta de sincronia, de simpatia, de ritmo, de simetria emocional. Mas, tentamos. E tentamos furiosamente dia após dia buscando as melhores maneiras de, em algum momento, dizer: Consegui! Fui feliz. Pois, ser feliz é ilusão, quase um pesadelo. Só você pode me ouvir, por mais fracas e calmas que sejam as palavras em busca de entendimento.


E tudo o que se pede, sabe-se lá para quem, é para que não sejamos essa criança assustada.
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20/10/2015

Medo, egoísmo e concorrência no mercado de trabalho




Conversando com pessoas que trabalham em diferentes áreas, desde comércio, lojas, indústrias, educação, etc., muitos falam sobre melhores qualidades de oferta de emprego, melhores condições de trabalho e até mesmo melhores ambientes sociais de trabalho, como, por exemplo, trabalhar com gente mais capacitada, mais disposta.

Este é parte do discurso que muitos, diretores, encarregados, gerentes e chefes de empresas também possuem e gostam de falar. Desejar trabalhadores que possuam iniciativa, que sejam motivados, engajados a desempenhar seu papel com qualidade, competência e responsabilidades adequadas, e que saibam, inclusive, se adaptar e conviver em ambientes de trabalho com diferentes tipos de colegas de trabalho. Até aí, tudo ótimo. Inteligente o chefe que pense assim, e, feliz da pessoa que possua estas habilidades e consiga a vaga.

E é bem este o foco deste artigo: a vaga.
Desde que o mundo é mundo, ouvimos dizer e aprendemos que “quanto maiores suas habilidades e conhecimentos, quanto melhor seu currículo e suas capacidades, maiores serão suas chances de conseguir um emprego de qualidade”. Realmente, isso é verdade.
Mas, e quando se currículo assusta os demais? Isso acontece? Sim, acontece. E por mais que não seja uma ação pensada pela empresa, é muito comum acontecer, pois, seu currículo passa pela avaliação de um departamento de Recursos Humanos, que é responsável por sua análise e potencial contratação, visando vagas específicas onde seu currículo seria mais bem aplicado.

Isso quer dizer que um currículo muito bom pode não ser contratado?
Infelizmente, sim. Pelo menos é o que podemos ver em algumas conversas. Foi-se o tempo em que um amigo, conhecido ou alguém do meio poderia fazer o favor de entregar um currículo seu ao RH ou ao supervisor de alguma empresa. Mas, hoje esta pessoa pensa várias vezes antes de fazer isso, pois, ela mesma avalia seu currículo. E, caso seja melhor que o dele próprio, sinto muito, mas, vai para o lixo da cozinha.

O mesmo ocorre com funcionários dos próprios departamentos de recursos humanos, secretários, diretores, supervisores, etc. Se seu currículo é bom o suficiente para fazer o cidadão pensar que você seja uma possível ameaça à vaga que ele mesmo preenche, então, certamente você não será contratado. Pois, sei currículo não chegou, sequer, a fazer parte da reserva de contratação.

29/04/2015

No mundo, menos um ídolo, mais um hipócrita.

É sempre muito bom ver e ouvir, em qualquer meio, com a maior naturalidade, a relação que as pessoas passam a ter com ídolos mortos, que nos deixaram a um ou dois dias, e que, de repente, simplesmente, de uma hora para outra, estão por todos os lados na vida destes que nunca antes se ouviu uma só palavra sobre o tal ídolo e artista.

Para citar os mais recentes, morre o escritor uruguaio Eduardo Galeano (1940-2015), e todos, inexplicavelmente, se tornam fãs incontestáveis e lamentam profundamente sua morte. Ainda em abril, morre aos 82 anos um dos maiores ícones da dramaturgia brasileira, Antônio Abujanra (1932-2015), e a hipocrisia é a mesma: centenas de comentários de recentes “velhos” fãs enaltecendo sua existência e seu trabalho. O mesmo acontece com músicos da velha guarda ou cineastas de esquerda.


30/12/2014

Pixie-bob: o gato com um polegar igual ao seu.

Uma das características mais interessantes desta raça é a quantidade de dedos, podendo chegar a sete dedos em cada pata, inclusive com um polegar muito parecido com o polegar de uma mão humana. A impressão que se tem é que este gato vai se levantar e pegar uma garrafa de leite na geladeira e servir com chocolate, sozinho.

Pixie-bob é uma raça de gato criada por Carol Brewers. Bom, na verdade, não foi criada por ela, mas sim, “descoberta”. Brewers comprou um gato desta raça em meados de 1980 e resolveu “desenvolver” ainda mais a raça, fomentando sua cria. Brewers diz que esta raça é um híbrido entre gatos domésticos e lince-pardo (bobcats em inglês, por isso o "bob" no seu nome). Testes de DNA não encontraram genes marcadores de lince-pardos, o que faz deles gatos considerados domésticos.

São gatos relativamente grandes, com machos pesando até 8 kg, e fêmeas, 6 kg, cerca de 50% mais do que a média. Uma característica comum destes gatos é a cauda, que comumente é de tamanho reduzido (como no caso do lince-pardo), ou ausente. Sua pelagem é cinza-escuro, com pelos geralmente curtos. São bastante sociáveis, especialmente aos seus donos, bem como para outras pessoas e animais.




Logo abaixo, um vídeo com um pouco mais do gato Pixie-bob para vocês se deliciarem.


10/12/2014

Fuck Pelz | Como seria com os seres humanos?

Não quero discutir aqui o consumo de carne ou coisa assim. Mas sim, a matança pelo comércio de peles de animais (em um mercado caríssimo) que ainda existe. Tudo bem, não serei hipócrita: comemos a carne usamos o couro das vacas (bois), porcos e animais tecnicamente criados para o abate. Mas, qual a lógica (se é que existe em outros pontos de vista), de se utilizar pele de foca, mink, urso, raposa... etc.?

Enfim, o vídeo abaixo do pessoal do Fuck Pelz.de mostra como seria nossa relação de "aquisição" de pele animal de uma maneira mais próxima a realidade, um pouco longe das prateleiras e cartões de crédito.

Se você irá lutar a favor de iniciativas veganas, combate à violência animal ou coisa assim, já não é comigo, pois, e repito, por mais hipócrita que pareça, sou um onívoro comum. Porém, não me sinto confortável em usar a pele de um animal apenas para alimentar o mercado da moda. Vale a pena ver o vídeo e refletir um pouco.



04/12/2014

Sobre Informação Demais, “Deep Web”, Mente, Ações, entre outras bizarrices humanas assustadoras.


Dizem que “informação nunca é demais”. Bom, de uns anos para cá, receio ter mudado essa minha concepção. Informação boa nunca é demais. Informações ruins são, no mínimo, dignas de reflexão sobre conhecê-las ou não.

Hoje somos bombardeados de informações por toda parte: boas, ruins, positivas, negativas, necessárias e desnecessárias. O tempo todo. Às vezes, não temos tempo sequer de compreendê-las. Mas, estão lá, fazendo parte do cotidiano, inflando o subconsciente na hora de dormir, único momento de reflexão do dia, momento no qual o cérebro tentará, desesperadamente, assimilar tudo o que aconteceu durante o dia, nos últimos dias.

Dia destes, me mostraram um vídeo de um homem sendo decapitado. Pensei: “Bom, para mim não é novidade”. E depois pensei: “Mas também não posso achar a coisa mais normal do mundo”. E realmente não é. Mas, acontece muito. E o fato de acontecer, sim, é chocante. Muitas vezes só nos damos conta do que estamos vendo depois de ver, saber, ouvir, “sentir”.
Realmente não fiquei chocado com o vídeo. Fiquei chocado com minha frieza ao vê-lo, tanta quanto do carrasco que realizava a decapitação com um facão. Como aplicar uma injeção em si mesmo: você vê fazendo, praticamente sente fazendo; e quando tenta fazer em si mesmo – a injeção, é claro –, sente todos os tecidos do corpo sendo rasgados lentamente.
Enfim, quando terminei de ver o vídeo da tal decapitação, pensei: “Afinal, por que eu me prestei em isso”? E é bem por aí que quero continuar esse artigo.

03/07/2014

Como já disse antes, "sexo sem orgasmo é como um café se cafeína".

... como sempre digo: se as pessoas fizessem mais amor, o mundo seria muito melhor e mais tranquilo. A sociedade deveria transar (mais) com mais amor e respeito, gozar mais, ter mais orgasmos, múltiplos e eternos, insaciáveis, constantes, incontroláveis, epiteliais... orgasmos alucinógenos.

Respeitem as mulheres, marmanjos. Elas têm muito a oferecer, mas não encontram alguém que às compreendam em sua simplicidade. O orgasmo é o grito de liberdade, de vida e de valorização de toda mulher. Deem a elas pelo menos um. Todas merecem ter um orgasmo ao menos uma vez na vida.

Não estou falando de putaria, sexo pelo sexo. Estou falando de felicidade. Aproveitem a vida, motherfuckers. Let's rock, let's love!

Como já disse antes, "sexo sem orgasmo é como um café se cafeína".



Facebook/Marco Buzetto

26/05/2014

Mocochinchi Folksom - Wander Wildner ("Resenha").

Fabuloso, como sempre. Fabuloso.

Wander Wildner nunca me decepciona, e acredito que seja assim com todos seus fãs.
Um pouco atrasado, mas estou postando aqui uma "resenha" de seu último disco (2013), "Mocochinchi Folksom".

O disco conta com 8 faixas com o velho toque reflexivo e bem humorado utilizado por Wander Wildner, com arranjos sensacionais e deliciosos de se ouvir. Um disco honesto com canções honestas. Para quem gosta do mestre do punkbrega, fica aí a dica.

O álbum conta com a participação de Renato Borghetti, entre outros. E se tem Renato Borghetti e Wander Wildner num mesmo disco, então se preparem para melodias de qualidade.






Faixas:
1 - O Breakfast do Tio Dylan; 2 - Com o Vento ao Seu Favor; 3 - Folksom; 4 - Enquanto a Terra Girar; 5 - Mocochinchi; 6 - O Chão; 7 - O Homem Que Caminha a Noite Toda; 8 - Noutra Dimensão.

Nota: 10

Site Oficial: Wander Wildner.com.br

01/05/2014

#SomosTodosHipócritas!

Sim, somos todos hipócritas. Todos grandes hipócritas, donos de uma hipocrisia tão bem construída que é hipócrita consigo mesma.

Sem querer aderir à campanha de postar foto comendo banana em solidariedade para com o caso do jogador Daniel Alves (Barcelona), que ironizou, e muito bem, diga-se de passagem, o fato de torcedores atirarem a fruta ao campo em sua frente, claramente chamando-o de “macaco”, prefiro dizer que #SomosTodosHipócritas! Exatamente isso.

Admirei a dei risada ao ver, posteriormente ao jogo, pois não acompanho futebol, o jogador tomar aquela atitude. Foi um tapa na cara, como quem desse com os ombros dizendo: fodam-se!
No entanto, após ver dezenas de pessoas, anônimos e celebridades, postando suas selfies segurando ou comendo banana, pensei: sim, a hipocrisia come solta (não come banana). É verdade que existe um sistema de marketing gigantesco por trás destes comedores de banana oportunistas que pipocaram aqui e acolá se dizendo “solidários” contra a questão do racismo. Porém, não podemos nos esquecer de que vivemos em um país (imenso) repleto de culturas, diferenças, desigualdades e questões distintas entre os seres humanos tão grandes quanto este mesmo território.

O preconceito está em todas as partes. Chamar afrodescendentes de macacos é piada velha, mas persistente (infelizmente). As minorias de classe, agora dizendo sobre todos os aspectos sociais, não somente afrodescendentes, não são obrigados a comerem apenas bananas. Se fosse isso estaria ótimo. Mas vivem obrigados a comer merda produzidas por babacas racistas e/ou preconceituosos no dia a dia, desde o trabalhador braçal ao magnata da mídia.
Entretanto, quero lembrar que este é o país dos grandes preconceitos e também das grandes causas contra os grandes preconceitos. O Brasil, mesmo com todas as suas políticas de igualdade entre classes sociais e grupos étnicos, é um país muito novo, assim como muitos criados também sobre dogmas preconceituosos e excludentes, e está longe, muito longe de ser um país sem ações racistas como a que aconteceu e diariamente acontece em toda parte.
Preconceito contra nordestinos, nortistas, sulistas; mulheres (sexismo), homossexuais e suas classes; classes sociais etc.; este é o Brasil, que se uni em momentos nos quais todos parecem gostar de abraçar uma causa e salvar as florestas e as vaquinhas, mas que em seu cotidiano fazem de tudo para conseguirem vantagem uns sobre os outros.

Como já disse em outros momentos, não pregando o fato, mas avaliando de maneira imparcial dentro de contextos fenomenológicos da sociedade, os preconceitos sempre existirão. E não falo sobre questões de cor, credo, sexo... não. Os preconceitos existem, pois são intrínsecos ao ser humano, fazem parte da humanidade. Se não existirem por questões nítidas, (como cor da pele no referido caso) existirão em questões sociais, econômicas, questões triviais... Mas sempre existirão.
PORÉM, e é aqui que me redimo neste último parágrafo (talvez controverso): por mais que estes preconceitos existam na essência do ser humano, o mesmo não pode julgar seu próximo baseado nestas questões. O Estado, como um todo, não pode admitir que o racismo seja uma forma de representatividade popular. Atos assim deveriam ser inconcebíveis (tanto quanto a utilização de fatos como este por agências marketeiras e oportunistas).
A única lição que podemos tirar do caso: o torcedor foi banido permanentemente. Como o próprio jogador disse em entrevista após sair do gramado: "Estou há onze anos na Espanha, e há onze anos é igual... tem que rir desses atrasados”. Isso demonstra a sagacidade do jogador frente a tantos momentos iguais (ou piores) pelos os quais já passou, e demonstra mais ainda a inferioridade, agora sim, de pessoas que consideram engraçada ou correta a tentativa de humilhação de outro ser humano.

Enfim; este é um assunto para milhares de palavras. Mas...
Finalizo aqui este texto lembrando que não somos todos macacos; não somos todos maconheiros; não somos todos perfeitos; não somos todos heróis da resistência. Mas, somos todos humanos, e como estes, #SomosTodosHipócritas, que cotidianamente somos coniventes (por meio do silêncio ou da reprodução silenciosa) com práticas preconceituosas em todos os níveis, camadas e meios sociais.
O que podemos fazer, afinal, é educar a nós mesmos para que as futuras gerações (se que é existirão) sejam cada vez menos preconceituosas do que somos. Ou, no mínimo, mais toleráveis com a diversidade humana.

(Obs.: fico a disposição de quem quiser discutir o assunto de maneira adulta. Releiam o texto antes de me encherem de comentários enraivecidos).


Marco Buzetto | 01/05/2014

26/03/2014

Coisas estranhas acontecem em quartas-feiras – 2.

Em uma postagem anterior (há tempos), falei sobre estas coisas doidas que acontecem no meio da semana. Para quem não viu, leia aqui. Abaixo, outro caso de quartas-feiras sem nexo.

... aí você marca uma reunião com uma megaempresa; reunião marcada para uns 15 dias adiante. Até aí, tudo bem. Um pouco de ansiedade por conta da importância da reunião... Mas, tudo certo. Sua vida vira um inferno sem tempo pra absolutamente nada nos últimos dias, comendo mal, dormindo 2 horas por noite.

Nos dois dias anteriores a dita reunião, duas noites sem dormir aperfeiçoando tudo o que será apresentado. Um dia antes, 80% do seu dia a milhão, sem saber das horas, esquecendo nomes, datas, compromissos; telefones tocando, ligações o dia todo, e parece que as coisas não estão andando.

Noite anterior à bendita reunião. Últimos retoques no projeto. Madrugada sem dormir ensaiando a oratória e tudo mais... pra fazer aquela moral e mostrar que se importa: afinal, você passou a última semana focado apenas nesta reunião.

Reunião: 9 horas (sim, da manhã). Você levanta às 7h, toma um belo banho. Sem café da manhã, pra nada atrapalhar durante as próximas horas.

Chegou a hora. Você estaciona sua motocicleta super especial NO ESTACIONAMENTO da empresa; afinal, você é apaixonado pela sua moto, e não quer que nada aconteça a ela num ambiente hostil cheio de caminhões e possíveis imbecis (sem generalizações).

A reunião? Formidável. Você não usou 20% de tudo o que preparou. Foi super bem recepcionado. Segurou a onda, mostrou que entende do assunto; tirou sorrisos, apertos de mão e tudo mais.

Hora de ir para o café mais próximo e finalmente acordar às 10 horas da manhã, com a maior pressa do mundo, pois tem muito compromisso com hora marcada e muita coisa pra fazer com tempo reduzido.

Imagem ilustrativa: essa não é a moto, tampouco a gerente
(que pena).
Estacionamento da empresa: a moto, fora do lugar. Retrovisor direito quebrado. Retrovisor esquerdo, torto. Setas esquerdas, quebradas. Manopla esquerda, quebrada (misteriosamente esse pedaço da manopla + um pecado de uma das setas sumiram). Tanque riscado no lado esquerdo. Placa e suporte de placa, tortos. Farol, trincado. Lanterna traseira, quebrada (com a moto parada, ninguém viu, mas, o velocímetro não está funcionando).

Você volta para a recepção, fala sobre o que aconteceu, toma 20 minutos de chá de cadeira sem nenhuma resposta. Finalmente aparece alguém. Esse alguém só passou pra saber o que houve. Você faz algumas fotos na presença dele para registrar o ocorrido e ninguém dizer que você é quem atacou sua própria moto. Ele sai. Minutos depois, outras pessoas. Mesma coisa.

Nas imagens do circuito interno, uma gerente resolveu meter o loco e sair com o carro para uma suposta emergência. Mesmo com um espaço que daria para estacionar um trator (dos grandes), ela derruba sua moto. Avisou alguém? Não. Chamou alguém? Não. Só levantou a moto na maior força e fez como se nada tivesse acontecido. (Essa é gerente da empresa).

E essa foi à quarta-feira, 26/3/14, começando. Vamos ver como será o resto do dia.

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Aqui, uma música para acompanhar a leitura (me lembrei dessa música enquanto escrevia o texto). Psycho Killer – Talking Heads.

26/02/2014

Coisas estranhas acontecem em quartas-feiras.

Fato:

O dia ainda não acabou e esta está sendo a semana mais estranha, confusa e psicodélica de que me lembro na vida. Dá até pra pensar que é "O Show Truman”.

Ou realmente entramos em um universo paralelo, um buraco de minhoca, a toca do coelho de "Alice no País das Maravilhas", ou uma realidade com roteiro de David Lynch misturado a Woody Allen. Pink Silk Republic nunca foi tão movimentada assim.


Estávamos lá, os dois no mesmo horário. Tomei um espresso, comi um pão de queijo, finalizei com um chocolate. Parece até que sentamos na mesma mesa, das 15h às 16h. Até vimos à mesma lora gata. Mas, não nos encontramos.

Meio de semana. Quarta-feira. Coisa tensa. Nebulosa... Sei lá. Se fosse sexta, ainda, tudo bem. Cara cheia, sangue de pirata sem gelo goela a baixo... Mas quarta? E nem é ano bissexto.

Lembro, agora, que lá pelas 14:30h, ao cruzar o sinal aberto para mim, uma mulher quase me atropelou, cruzando o sinal fechado, de carro. Será que é isso, então? Estilo "Caverna do Dragão"? Meu espírito deve ter continuado a rotina, e meu corpo morreu no meio da rua?


Tudo isso depois de uma noite sonhando puro erotismo e romance entre lençóis com a jornalista Ana Paula Padrão. Tinha ela, uma caixa d'água, uma casa incrível numa rua cheia de lama... Um dos sonhos mais malucos que já tive, diga-se de passagem. Não dá pra contar em detalhes nesta postagem (fica pra próxima).


Acabei de descobrir, além de tudo, que morava com um cara que conversava comigo sobre sua namorada. Imagina. Será que comíamos no mesmo prato, dormíamos na mesma cama e usávamos a mesma escova de dentes, tipo Clube da Luta?

Não é tiração de onda, não. A coisa é séria, sexy e selvagem. Alguém tem alguma explicação? Bem-vindo ao universo paralelo.



Estou achando que esse crack light mentolado passou da validade.


08/11/2013

O Rei da Vergonha Alheia (P1)


Infelizmente acabei de ver o tal vídeo viral do (agora) coitado Rei do Camarote. Tive vergonha de ter visto. Aquele tipo de vergonha que a gente sente ter visto, vergonha de existir, e vergonha alheia. Sabe?! Aquela vergonha alheia que a gente sente por nós mesmos e pelos outros.
 
Mais vergonha de mim mesmo e alheia que senti, também, foi na primeira campanha do Deputado Palhaço Tiririca. Ontem, vi outra propaganda, com outro bordão. A propaganda do Tiririca ficou por último na propaganda toda do partido, para ser ainda mais engraçado. A propaganda do PR estava até interessante, séria. Depois, ele.
 
Me senti total e absolutamente humilhado enquanto ser humano.

06/11/2013

Miniditadores de territórios tão pequenos quanto suas cabeças.


Fiz está postagem, 25/10/13, em um grupo de escritores inerte e fui sumariamente expulso sem qualquer aviso prévio, até por que, até então, não haviam regras no mesmo. O grupo é chamado de escritores "Os Escritores". Está p...ostagem é parte do meu trabalho contra o sexismo, os preconceitos e os conservadorismos dos quais as mulheres são vítimas.
 
Tentei saber o motivo da expulsão com o administrador, mas este não me respondeu. No tanto, e não sei por que, ainda recebo atualizações desta postagem.
 
O interessante é que alguns comentários sobre mim são covardes e ignorantes, inclusive por eu não ter direito de resposta.
 
Outros comentários, no entanto, são ao meu favor.
 
Isso não é um desabafo. Mas, ser expulso de um grupo de escritores e ter uma postagem comum a toda gente censura, não me parece correto aos olhos da escrita.
 
Gostaria do meu direito de resposta no grupo, mas não o tenho. E continuam a me insultar pública e abertamente.
 
Miniditadores de territórios tão pequenos quanto suas cabeças e capacidades.

 

04/11/2013

O que é limite, critério e bom senso?!

A rede social Facebook é muito conhecida por sua incrível capacidade de produção de conteúdo por milhares de usuários diariamente. Muitos destes conteúdos, a bem da verdade, são de absoluta insignificância. Mas estão lá. Outros são de total preconceito contra vários tipos de coisas: violência feminina em postagens “engraçadinhas”, piadas infames que humilham grupos étnicos e culturais, intolerância religiosa, etc. e tal.

Vemos que o universo desta rede social é tão machista quanto à realidade da sociedade, quando temos, por exemplo, usuários (“conservadores”) que denunciam imagens supostamente sexualmente explícitas, ou de nu (não vulgar), ou que mostram o corpo feminino de maneira documentária e/ou artística, e também casos que o próprio sistema do Facebook exclui estas imagens, sem ao menos levar em conta as postagens e comentários que as mesmas abordam e/ou confrontam.

Fotos ou imagens de homens sem camisa com relevância sexual são permitidas em escala industrial. As mesmas imagens ou fotos, em sua maioria históricas ou artísticas, representando mulheres nuas, ainda são sinônimos de atentados violentos ao pudor (e ao poder).

Mas também, qual é o objeto de censura? Um biquíni fio dental que só faz de conta que tapa alguma coisa estampa tudo o que é propaganda, publicidade e meios midiáticos, principalmente televisão, (hoje) a qualquer hora do dia. Tanto a parte superior quanto a inferior, tapando apenas alguns fiapos de pelos e o bico dos seios. Os restantes 90% da mulher estão expostos, inclusive as taras, os fetiches e o conteúdo psicossexual involuntário. Destapar os mamilos, então, faz alguma diferença?

Posso citar um exemplo pessoal com a capa do meu segundo livro, que possui o tronco de uma mulher (parcialmente desfocado) com um dos seios a mostra. Uma destas imagens fora censurada. Estranhamente, tantas dezenas de outras iguais permaneceram online. Acredito que não tenha sido o próprio Facebook em si que a tenha excluído, mas, algum desavisado que a denunciou como sexualmente abusivo ou qualquer coisa assim.

Este é um exemplo prático pessoal, mas existem vários outros de ONGs e grupos que conheço que já passaram por coisa semelhante.

 
Não estou falando aqui daquelas fotos que as meninas e meninos tiram de si mesmos no banheiro, ou na cama, de fio dental ou sem camisa, mostrando o corpo em biquínis minúsculos que induzem a nada além de explorar o corpo e a falta de vergonha alheia. Estou falando de imagens que são, de alguma forma, no mínimo, interessantes e necessárias ao conteúdo das postagens.

Enfim, se é que existe na prática, qual o critério para uma imagem ou fotografia ser tida como apelativa? Quais tipos de imagens são consideradas abusivas na opinião popular?

Os usurários das redes sociais são capazes de produzir conteúdos interessantes e não-ofensivos, ou, no caso do Facebook, serve apenas para produzir entulho virtual sem a menor relevância, apenas como divã terapêutico e reflexo de uma sociedade ainda muito debilitada e incapaz de análises mais criteriosas sobre si mesma?