04/11/2013

O que é limite, critério e bom senso?!

A rede social Facebook é muito conhecida por sua incrível capacidade de produção de conteúdo por milhares de usuários diariamente. Muitos destes conteúdos, a bem da verdade, são de absoluta insignificância. Mas estão lá. Outros são de total preconceito contra vários tipos de coisas: violência feminina em postagens “engraçadinhas”, piadas infames que humilham grupos étnicos e culturais, intolerância religiosa, etc. e tal.

Vemos que o universo desta rede social é tão machista quanto à realidade da sociedade, quando temos, por exemplo, usuários (“conservadores”) que denunciam imagens supostamente sexualmente explícitas, ou de nu (não vulgar), ou que mostram o corpo feminino de maneira documentária e/ou artística, e também casos que o próprio sistema do Facebook exclui estas imagens, sem ao menos levar em conta as postagens e comentários que as mesmas abordam e/ou confrontam.

Fotos ou imagens de homens sem camisa com relevância sexual são permitidas em escala industrial. As mesmas imagens ou fotos, em sua maioria históricas ou artísticas, representando mulheres nuas, ainda são sinônimos de atentados violentos ao pudor (e ao poder).

Mas também, qual é o objeto de censura? Um biquíni fio dental que só faz de conta que tapa alguma coisa estampa tudo o que é propaganda, publicidade e meios midiáticos, principalmente televisão, (hoje) a qualquer hora do dia. Tanto a parte superior quanto a inferior, tapando apenas alguns fiapos de pelos e o bico dos seios. Os restantes 90% da mulher estão expostos, inclusive as taras, os fetiches e o conteúdo psicossexual involuntário. Destapar os mamilos, então, faz alguma diferença?

Posso citar um exemplo pessoal com a capa do meu segundo livro, que possui o tronco de uma mulher (parcialmente desfocado) com um dos seios a mostra. Uma destas imagens fora censurada. Estranhamente, tantas dezenas de outras iguais permaneceram online. Acredito que não tenha sido o próprio Facebook em si que a tenha excluído, mas, algum desavisado que a denunciou como sexualmente abusivo ou qualquer coisa assim.

Este é um exemplo prático pessoal, mas existem vários outros de ONGs e grupos que conheço que já passaram por coisa semelhante.

 
Não estou falando aqui daquelas fotos que as meninas e meninos tiram de si mesmos no banheiro, ou na cama, de fio dental ou sem camisa, mostrando o corpo em biquínis minúsculos que induzem a nada além de explorar o corpo e a falta de vergonha alheia. Estou falando de imagens que são, de alguma forma, no mínimo, interessantes e necessárias ao conteúdo das postagens.

Enfim, se é que existe na prática, qual o critério para uma imagem ou fotografia ser tida como apelativa? Quais tipos de imagens são consideradas abusivas na opinião popular?

Os usurários das redes sociais são capazes de produzir conteúdos interessantes e não-ofensivos, ou, no caso do Facebook, serve apenas para produzir entulho virtual sem a menor relevância, apenas como divã terapêutico e reflexo de uma sociedade ainda muito debilitada e incapaz de análises mais criteriosas sobre si mesma?