10/10/2017

Diário: Confissões de Amor, Solidão e Arrependimento, Parte 5

Nota: Não sei até quando escreverei essas confissões, mas tentarei fazer isso diariamente: todo dia uma confissão sobre o que houve e o que há, o que vi e vivi, os momentos mais desesperadores da minha vida. Não tenho pretensão, além de escrever sobre o amor e tirar um pouco da angústia que sinto no coração.
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Você já teve aquela sensação de que a partir de agora (e esse agora já faz tempo) você não pode mais errar? E estou falando sobre errar feio, cometer um erro drástico que lhe fará se arrepender da maneira mais pesada possível. Estou falando sobre um erro tão estúpido partindo de uma decisão tão irracional e confusa que te deixa tão deprimido a ponto de só querer conversar e compreender o que houve, pois você tem certeza de que não foi culpa sua (dos dois) e que tudo não passou de influência de uma atmosfera que transformou o amor do 'querer estar cada dia mais junto' em um 'amor de fugir'.

Essa sensação de não poder mais errar me acompanha desde aquele dia. Mas, mesmo sabendo que era a coisa errada, eu não queria dizer não. Eu sentia que ela precisava sair dali, precisava de um tempo longe: infelizmente, por falta de um diálogo sincero e por esquiva, esse tempo longe se tornou um tempo longe de mim também. Eu só queria vê-la aliviada daquela tortura. Foi por amor, claro que foi. Mas foi errado. Eu deveria ter implorado de joelhos. Deveria ter chorado diante dela, e não escondido. Deveria ter perdido aquele avião como quase aconteceu ou saltado e saído correndo daquele ônibus. Mas eu também estava assustado com tudo. Não foi culpa nossa.

Todos os dias, sozinho, eu fazia o mesmo caminho. Passava pela mesma esquina e a mesma amoreira e pensava: "mais um dia aqui, mais um dia de saudade dilaceradora"; e contava quanto ainda me faltava para conseguir ir embora. O cotidiano ilosado me deprimia. A saudade me consumia. A vontade de conversar me abalava e martirizava (e me era negado). E por mais que tudo isso, todo este sentimento de amor pareça bobagem... bom, então você nunca vai saber do que estou falando se isso parecer bobagem.

Os carros, as sirenes, as pessoas, os semáforos, as ruas repletas ou desertas, os caminhos, as esquinas, os dias e as noites, aquele lugar selvagem, aquele apartamento  congelante e desolador… tudo agora me dava medo e repúdio. E todos os lugares por onde passávamos e frequentavamos zombavam de mim, riam da minha cara e apontavam o dedo me julgando. Ela estava em tudo, em cada milímetro, em cada movimento, em todos os motivos. Mas não estava mais ali; e tudo o que eu mais queria era que ela estivesse ali, ali comigo, não importava aonde.

Um grande amigo sempre me disse: "a gente pode errar (feio) até os trinta; depois dos trinta a gente não tem mais esse direito". Não vejo diferente. Por isso retornei: para me redimir e tentar corrigir o maior erro da minha vida. Esse que o tempo não perdoa.

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09/10/2017

Diário: Confissões de Amor, Solidão e Arrependimento

Nota: Não sei até quando escreverei essas confissões, mas tentarei fazer isso diariamente: todo dia uma confissão sobre o que houve e o que há, o que vi e vivi, os momentos mais desesperadores da minha vida. Não tenho pretensão, além de escrever sobre o amor e tirar um pouco da angústia que sinto no coração.
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Numa noite, deitado no sofá, pois a cama já não era minha cama fazia tempo, pois era apenas solidão... numa noite no sofá acordei suando frio, subitamente, com o coração batendo tão forte que dava para vê-lo pulsar, o peito doendo pelas batidas. Pensei "pronto, é agora". E a oportunidade de pedir perdão? Acabaria agora? Tentei me acalmar, levantei e fiquei andando pelo apartamento. Aconteceu o mesmo na noite seguinte e na outra e na outra. Acordava subitamente no meio da madrugada, em todas as vezes sonhando com ela. Na verdade, não me lembro de uma noite sem ter sonhado com a pessoa mais importante e necessária da minha vida.

Além de tudo o que estava acontecendo, agora isso. Susto após susto, noites e noites. De imediato parei de beber (não que eu tivesse me tornado um dependente), e parei também com o café. Há meses não bebo uma xícara de café. Nunca mais usei a máquina de espresso que havíamos comprado. Sacrifícios, quem sabe. Tentando manter o corpo e a mente puros para o dia que eu finalmente conseguisse voltar e pedir perdão.

Diário: Confissões de Amor, Solidão e Arrependimento

Nota: Não sei até quando escreverei essas confissões, mas tentarei fazer isso diariamente: todo dia uma confissão sobre o que houve e o que há, o que vi e vivi, os momentos mais desesperadores da minha vida. Não tenho pretensão, além de escrever sobre o amor e tirar um pouco da angústia que sinto no coração.
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Dizem que o tempo é nosso amigo e que ele cura todas as feridas. Não. Nem sempre. Às vezes o tempo é nosso inimigo. O tempo leva embora oportunidades que podem nunca mais passar perto da gente. Leva as chances de entender o que aconteceu, e deixa no lugar um amontoado de sensações e assuntos inacabados. O tempo passa e nos obriga a "deixar para trás". Covardia. Deixar para trás, não buscar, não tentar, não se esforçar mais, simplesmente "deixar para trás" e dizer "fiz o que pude", como se não houvesse mais nada para ser feito, mais nada pelo o que lutar.

Prefiro a bondade do tempo. Não o "deixar para trás". Prefiro o tempo que me permite refletir e retornar ao que precisa ser contornado. Preferi não me esconder. Preferi não negar. Preferi assumir e consertar o erro, mesmo que não apenas por mim.

07/10/2017

Diário: Confissões de Amor, Solidão e Arrependimento

Nota: Não sei até quando escreverei essas confissões, mas tentarei fazer isso diariamente: todo dia uma confissão sobre o que houve e o que há, o que vi e vivi, os momentos mais desesperadores da minha vida. Não tenho pretensão, além de escrever sobre o amor e tirar um pouco da angústia que sinto no coração.
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Como é fácil dizer "você tem que crescer", "amadurecer", "já passou", "segue a sua vida". Como é fácil se esquivar e dizer que o outro está errado. Dizer "imaturo" quando tudo o que se demonstra é o medo e a esquiva de encarar o erro. Difícil é ter coragem de assumir o pior erro da vida e retornar ao que precisa ser corrigido.

Cinco meses e quatorze dias no abismo, numa solidão repleta de sentimentos tão brutais que estilhaçaram meu coração como um espelho em pedaços, enquanto, desesperado, eu tentei juntar cada caquinho e ver o que sobrou do homem no reflexo. Sobrou pouco, quase nada. Sobraram um homem e uma vida, vazios. Olhos tão profundos, que neles via-se apenas o desolamento.
Claro, escolhas são escolhas, por piores que sejam. Mas, dar as costas? Tornar o amor um sentimento de rancor para tornar a vida possível? Transformar uma vida de luta e grandes momentos em sentimentos controversos de negação? Não. Prefiro amar. Prefiro dizer o que sinto e não fugir, não errar mais, não de novo. Nunca mais.

Diário: Confissões de Amor, Solidão e Arrependimento

Nota: Não sei até quando escreverei essas confissões, mas tentarei fazer isso diariamente: todo dia uma confissão sobre o que houve e o que há, o que vi e vivi, os momentos mais desesperadores da minha vida. Não tenho pretensão, além de escrever sobre o amor e tirar um pouco da angústia que sinto no coração.
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1

Foi assustador. Passar pelo o que passei com direito a todos os tipos de dores e ameaças… Cada dia foi um novo dia de desespero, de saudade, de súplica. Não houve um só momento em que não me arrependi. Não houve uma só noite em que não implorei por um pouco de paz no coração. Dormindo quando o corpo e a mente já não aguentavam mais, depois de dias e dias, às vezes exagerando muito na bebida, sozinho em casa, para pegar no sono. Mas depois percebi que eu só estava me afundando mais, fazendo mais escolhas erradas, fugindo mais de mim mesmo e da culpa que havia em meu coração (e que ainda existe, de certa forma). Até pensei em seguir a vida, ter outra pessoa... mas, não. Não consigo isso. Não queria buscar outra pessoa; não queria me esconder e esquecer tudo o que foi maravilhoso. Não queria cometer mais nenhum erro; fugir. Precisava retornar e contornar o que havia acontecido. Ter coragem, assumir um erro conjunto e pedir desculpas. Tudo o que eu mais queria era voltar para casa e pedir perdão: para a pessoa certa, a única, a mais importante e necessária. Passei todos os meses de solidão, sofrimento e angústia trabalhando minha saída daquele lugar, meu retorno para casa e meu pedido de perdão: tudo o que eu mais queria era poder olhar em seus olhos, direto em seu coração e me redimir com um abraço e minutos de conversa, mesmo não fazendo ideia do que aconteceria ou de como seria recebido. Pensei em inúmeras coisas, mas, nenhuma passou nem perto do que aconteceu.

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