11/04/2018

Fragmento 106


Às vezes, tudo o que a gente precisa é de um bom café, e esse café pode ser qualquer coisa, desde que seja um bom café – ou uma boa transa. Já percebeu o quanto é difícil não ser tendencioso? Quase impossível. Existem leis que nos regem, e por mais que acreditemos que somos donos de nós mesmos, por mais que façamos de tudo para mentir descaradamente tentando acreditar que nós estamos no controle de nossa própria vida... nada disso é verdade. Chame de Deus, chame de “alguma energia cósmica”, chame de destino, de predestinação. Diga o que quiser, desde que você continue sua vida e siga seu próprio caminho em busca do que te faz feliz, mesmo que nunca lhe faça, mesmo que nunca encontre, mesmo que você viva a existência da única vida que é sua e a única a qual poderia viver, mesmo que você acredite que quem manda é você, mesmo que nada faça sentido.

09 de abril de 2018

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09/04/2018

Intragável [verborragia]

Intragável

Serviram-me um café absolutamente intragável.
Um café ruim, péssimo, café viscoso. Quente, mas, parece morno para frio por causa dessa viscosidade.
A vida às vezes é assim: viscosa. Intragável, às vezes. É nojenta como esse café. A xícara e o pires no qual me serviram são até bonitos e meio delicados. Como a vida. Às vezes bonita, mesmo com a delicadeza de um rinoceronte enfurecido.
Cheiro de gasolina por toda a parte. Lugar esquisito. Visto de fora para dentro até que parece legal, mas, de dentro para fora, a visão da rua, das pessoas, do tipo esquisito de gente feia e esquisita... tudo normal. Deprimente. Gente pedindo dinheiro, pedindo um gole de café de garrafa na porta ao lado. E eu pensando "o que estou fazendo aqui"?
Quando ela chega, imediatamente digo para não pedir café. "Escolha outra coisa". O segundo pior café da minha vida. Pergunto por que aquele lugar, por quê aquele café, e ela diz que é "para descontar o vinho ruim e barato" de noites atrás.
Ela se levanta, eu pago a conta e saímos para outro ponto menos constrangedor. Espresso de qualidade, bolo de cenoura com chocolate e duas colheres no prato.
Passo o tempo todo tentando entender por quê ela fala tanto e o que diabos quer dizer com tudo aquilo, além de sua insegurança e ansiedade aparentes.
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04 de abril de 2008

Memórias e Saudades [verborragia]

Memórias e Saudades

Da mesma maneira que ela usa baton, tira e põe, limpa dos lábios e passa de novo, é assim que ela me estraga.
Essa sua raiva, tantos problemas, um inconsciente lotado, pesado, traumatizado.
E é assim que você me trata. É assim que trata o mundo: com maldade, com amargura e seus próprios arrependimentos. É assim que você trata o mundo... como trata a si mesma.
São as lágrimas e o sofrimento. As pequenas pausas e seus relacionamentos.
Sem tempo. Não há tempo. Não há.
Não há um só momento de tranquilidade, de paz. Não há o que lhe faça parar para respirar. E em meio a todo esse redemoinho de ações desesperadas, há tempo para tudo, menos para sorrir para si mesma.
Não há tempo. Não há pausa. Não há felicidade. Não há você. E eu não estou aqui. E o aqui não significa nada, além de um punhado de memórias e saudades.
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31 de março de 2018

O resto é lixo [verborragia]

O Resto é lixo

É difícil fazer qualquer referência positiva hoje em dia.
Se espelhar. Refletir. Tomar como exemplo.
Mil moscas na merda não tornam a merda mais bonita.
É complicado. É até inusitado se eu tentar.
O que falar de bom desta realidade? O que dizer de ruim num universo repleto de coisas ruins?
Um gato encostado em mim: uma gata. Serena. de vida simples. Muito diferente do que somos e absolutamente tudo o que queremos ser.
Alguém de vida simples.
Uma droga de ser humano de vida simples.
Um reflexo do que queremos, não do que somos.
Buscar, correr atrás enquanto a vida e a felicidade correm numa velocidade ainda mais vertiginosa.
Não se abale. Apenas chore. Grite. Sangre de todas as formas. Mas, não se desespere.
Mantenha a calma. Mantenha a classe.
O resto é só um punhado de histórias que ninguém quer ouvir e ninguém irá contar.
O resto é lixo.
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28 de março de 2018

01/04/2018

Documentário: Bukowski - Born into this (2003)


Quem ainda não conhece, conheça.

O documentário “Bukowski – Born into this” lançado no ano de 2003, dirigido por John Dullaghan, conta um pouco da vida deste que foi (e ainda é) um dos maiores escritores do século XX. Muitos associam Bukowski com a cena beat, mas esta associação é errônea. Bukowski não se preocupava com o academicismo da literatura, e escrevia o que lhe vinha à cabeça (como muitos outros) sem se importar com a forma, com a estrutura em si.

Enfim. Esta coluna não é sobre a escrita em si, e sim, sobre o escritor e o documentário sobre sua vida.

“Born into this” conta em detalhes algumas fases da vida de Charles Henry Bukowski Jr. Seu início de carreira, suas bebedeiras, vida conturbada, casamentos, relacionamentos, empregos... entre outras coisas que refletiram e interferiram diretamente na vida e nos textos do autor. Mostra também um Bukowski violento, inclusive em cenas gravadas, agredindo uma de suas esposas (Linda), enquanto discutem seu relacionamento, com Bukowski questionando a vida noturna de Linda que passa suas horas fora de casa, com os amigos, e não com seu marido. O registro também aborda o início de carreira totalmente sem dinheiro do autor, que (assim como a maioria dos escritores do mundo, inclusive este que vos escreve) é obrigado a enfrentar inúmeros empregos para sustentar sua profissão de escritor (e no caso do velho Buk, suas bebedeiras, noitadas, sexo e a fins – que, na verdade, acabam fazendo parte de todo clichê que um escritor pode ser. Amém?).