28/01/2018

Fragmento (104)


Já escrevi isso antes, mas não lembro quando ou em qual contexto. O que eu sei é que preciso de uma noite de sono, uma noite inteira e boa. Sem nada além do sono que me faça apagar. Sem que o dia seja um apanhando de flashes que eu não consigo somar e trazer um momento fixo. Sem que a noite não seja uma dúvida sobre o real ou o ilusório. Preciso dormir para saber se eu realmente acordei no dia seguinte, sem essa dúvida que me faz pensar se o que aconteceu realmente aconteceu e se hoje é mesmo o hoje. Não sei bem se é culpa minha ou se é coisa dessa rotina de dias com apenas vinte e quatro horas. Entre quatro paredes tudo muda, a cama, a cabeceira agora com napa vermelha, tudo em madeira rústica... e eu não sei se fui eu que fiz, porque o tempo passa e eu não vejo passar. Não há conquista e não há com quem partilhar o que acontece. Não há registro. Só este sono que não vem naturalmente. Só estes fragmentos de dias fragilizados e os segundos no relógio que marcam a saudade. E o tempo passa para todos, menos para mim. Dormir e acordar no mesmo dia, como naqueles tempos congelados e solitários no apartamento 01 da 1481. Tudo é fragmento, e tudo o que eu mais queria é uma noite de liberdade e um dia de permanência.

28 de janeiro de 2018, 02:59hs. Domingo.

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Crônica 68 - Tramp stamp... e meu coração de menino


Tramp stamp. Tramp stamp. Tramp stamp. Foi isso o que eu pensei quando entendi o significado. Foi o que pensei quando ela me disse que tinha uma tatuagem num lugar especial. “Uma tatuagem de piranha”, com certeza. Foi isso o que eu pensei. “Deve ser uma dessas tatuagens de borboleta ou, pior, de golfinho, ou, pior, de passinho gordinho ou estrelinhas formando um triangulo sobre as nádegas ou, pior, uma seta na lombar apontando para baixo com alguma legenda do tipo ‘entre sem bater’ ou ‘caminho da felicidade’... ou, pior, ‘a estrada para o inferno’”; para a qual você se pega olhando na hora H. Sinceramente, para mim pouco importa, já que essa é a posição que eu menos gosto... e eu gosto de luz acesa. Enfim, é no que eu penso quando ouço ou vejo uma mulher com tatuagem no cofrinho. Tramp stamp. Tatuagem de piranha. E essa história é sobre essa garota por quem eu me apaixonei ao som de Motley Crüe ou qualquer coisa assim.


Estávamos lá, nos olhamos, ela sorriu, e começou aí o ritual. Todo aquele ritual que é um saco quando se está de saco cheio de todo esse ritual. Deve ser por isso que muita gente se envolve com gente do passado, porque já pode pular essa fase – ou ser uma fase muito menor – de rituais que podem durar dias. Mas é isso aí: estávamos lá, nós dois, nos olhando e sorrindo, e eu pensando o quanto seria bom ganhar dela um beijo, contornar meu braço num abraço sentindo sua coluna e, na melhor das hipóteses, acabar os dois suados, respirando com dificuldade e secos por um gole de água ou um suco de laranja bem gelado.


Ela me disse que já havia me visto por ali, o que achei estranho, pois há anos eu não passava nem perto dali. Nos últimos meses, então, evitei ao máximo. Mas teve um dia que resolvi entrar e pedir um café.

Mas é verdade mesmo, fazia tempo que eu não te via por aqui.

Passei um período fora. – respondi.

E agora ficou com saudade?

27/01/2018

Mercado Editorial Nacional – Parte 1


Aqui vai uma dica para você escritor iniciante e escritores que buscam espaço e contrato com editoras: Editora que cobra a “produção” e “publicação” do seu livro, não é editora, é prestadora de serviço gráfico. A esmagadora maioria está preocupada apenas em oferecer o serviço de impressão (entre outros), ganhar a grana e te pagar 10% do valor de capa, sendo que todo o trabalho de divulgação e venda (na infinita das vezes) é do próprio autor.

Existe o escritor independente que não publica livro físico, existe o independente que publica por conta própria e existe o independente que está vinculado à alguma editora pequena.
Existe editora pequena, existe selos pequenos de editoras médias, existem editoras grandes. Para entrar nas grandes é uma tarefa (quase) impossível, pois elas trabalham com livros do mercado externo, os blockbusters que vendem muito e que se transformam em carro-chefe no Brasil. Quase nunca trabalham ou dão chance para editores nacionais (com raríssimas exceções). “Editoras” pequenas que prestam serviço gráfico – normalmente essas que ficam te mandando e-mail ou te chamando pra conversar no Facebook dizendo que você tem potencial, são apenas empresas que vivem de serviços gráficos, não de literatura, e nunca de seu nome e qualidade enquanto autor.

Dica dois: Se você realmente acredita que escreve bem – porque todo mundo se acha escritor ou artista ou qualquer coisa hoje em dia – e acredita que seu trabalho mereça ser reconhecido a nível nacional/internacional, contrate um agente (que também é outra vida pra conseguir, sendo que a maioria trabalha nos moldes das grandes editoras no mercado internacional). Mas, também, invista em publicação independente para sentir o “mercado”, tentando vender você mesmo seus livros com suas redes de amigos e contatos. Estude muito bem as propostas de editoras pequenas para não se frustrar (muito, muito mesmo) e acabar deixando de lado sua “vocação”.

Investimentos:
Publicação independente: Todos os custos são do autor. Mas, o retorno do investimento também é só do autor.
Editoras pequenas: Grande parte do trabalho gráfico do autor “em conjunto” com a editora. O autor recebe (ou uma quantidade de livros) ou 10% do valor de venda. Todo o trabalho de divulgação, inclusive de vendas, é do autor. Pois, essa “editora” não vai fazer muito esforço por você.
Editoras grandes: São sempre uma grande interrogação. Pois, nunca estão disponíveis para análise de original, ao mesmo tempo que dizem que o mercado literário nacional está crescendo (mercado nacional de consumo de livros – em sua grande maioria – estrangeiros).

Enfim. Essa é uma discussão que gera páginas e muitas horas de conversa. Espero que exista gente interessada e fico à disposição.
Em outras postagens vou esmiuçando melhor cada tema.
Forte abraço a todos. Que a literatura sobreviva. Let’s Rock, motherfuckers!
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15/01/2018

Fragmentos (103)


Solidão é sentir e ver todos a minha volta e não encontrar alegria em nenhum destes sorrisos. É a tortura do dia a dia na areia da ampulheta desta vida que não deixa semente e que não deixa fruto para o amanhã. É a falta, a saudade do cheiro de pele e do hálito quente em seu sono pesado e tranquilo. Solidão é essa paz que me falta, num coração cheio de sangue que corre atrás de quem não se deixa encontrar. (02:13hs – 15 de janeiro de 2018).
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29/12/2017

O passado de hoje em diante


Dizem que não se pode olhar para o passado, que tudo ficou para trás, que o que passou, passou e a vida segue em frente. Mas, se não se pode olhar para o passado, o que nos resta?

Aquele sentimento de fechar os olhos e sentir tudo girando, como a sensação de um bêbado. Embriagues depois do sexo, transar e sentir o mundo dando voltas, fechar os olhos e ter a sensação de que vai cair. Como quando se sonha que está caindo da cama e se acorda assustado tentando se segurar em alguma coisa. Mas isso é muito mais sobre ela do que sobre mim. É a sensação de quem sente, e não de quem proporciona a alegria do momento. É muito mais sobre sensibilidade, muito mais sobre permitir-se sentir do que sobre fazer sentir. A minha alegria, porém, era simplesmente admirar a beleza de tudo aquilo. Impressionante como me fascinava. As caretas de prazer, os sorrisos tímidos, o rosto e o semblante de quem está adorando e aproveitando cada segundo de cada pincelada de prazer; duas, três, quatro... dez vezes de uma vez só. E o mundo seria tudo o que eu mais quero o tempo todo. Mas, nada além do passado existe agora. Só me resta olhar para trás, e ouvir todos dizendo que olhar para trás está errado. De jeito nenhum. Não existe alegria sem passado. Não existe nada que faça sorrir que não tenha vindo de tudo o que senti. É o passado que me sustenta, que sustenta meu presente e norteia meu futuro. Escrever é o que me resta. Sempre que decido parar, escrevo mais e mais; e tudo o que eu faço na vida se resume a isso, por mais que eu tente dizer não, por mais que eu implore a mim mesmo para parar e por mais que eu tente furiosa e incoerentemente fazer outra coisa da vida. Escrever é o que me resta, e tudo se baseia em tudo o que já vivi, em tudo o que fez de mim o homem mais feliz da face desta terra cheia de confusão e infelicidade. O presente me traz isso, me traz a vontade de viver e sentir tudo de novo. O presente me ilude sobre o futuro que possivelmente nunca existirá. Mas, se não for assim, o que será de mim? O que resta nesta minha vida, se não acreditar e ter esperança sobre dias melhores e felizes, de mãos dadas e sorrindo feito criança por motivos bobos do dia a dia? E essa vida se tornando um zigurate de andares cônicos que não tem fim, um sobre o outro, como minhas memórias, minhas insônias, meus sonos forçados pela exaustão da madrugada e do amanhecer tardio. Finais felizes? Nenhum. Não quero os finais. Quero os dias, as horas, os minutos... quero cada segundo de felicidade. Não o final. O final não me importa. Quero todos os momentos com o sorriso estampado no rosto como a luz das pinturas mais humanas... como um renascentista antropocêntrico que tenta desesperado retratar a realidade e o pouco de humanidade que ainda existe dentro de cada um de nós. Tudo isso, para quê? Para que um dia nos aplaudam; pois, todos queremos ser o centro das atenções uma vez ou outra.

Sem o passado, de que me importa meu futuro? Não existe ninguém além, ninguém lá na frente. Ninguém que me satisfaça tanto quanto quem me satisfez em outros tempos, pois tudo se baseia em tudo o que já senti nesta minha vida... e o toque, o calor, a sensação... tudo está ligado intima e intrinsicamente ao calor de um só corpo e o cheiro de uma só pele. E não se faz mais passado como antigamente. Espero que não. E que a memória conserve seu rosto e sua existência, por mais que esqueça de qualquer outra coisa. O que importa é o agora. E meu agora é sobre tudo e existe em todos os tempos. Meu agora está lá atrás, desde o primeiro dia, implorando para que o amanhã seja tão caridoso quanto todos os carinhos que já senti.

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