15/01/2018

Fragmentos (103)


Solidão é sentir e ver todos a minha volta e não encontrar alegria em nenhum destes sorrisos. É a tortura do dia a dia na areia da ampulheta desta vida que não deixa semente e que não deixa fruto para o amanhã. É a falta, a saudade do cheiro de pele e do hálito quente em seu sono pesado e tranquilo. Solidão é essa paz que me falta, num coração cheio de sangue que corre atrás de quem não se deixa encontrar. (02:13hs – 15 de janeiro de 2018).
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29/12/2017

O passado de hoje em diante


Dizem que não se pode olhar para o passado, que tudo ficou para trás, que o que passou, passou e a vida segue em frente. Mas, se não se pode olhar para o passado, o que nos resta?

Aquele sentimento de fechar os olhos e sentir tudo girando, como a sensação de um bêbado. Embriagues depois do sexo, transar e sentir o mundo dando voltas, fechar os olhos e ter a sensação de que vai cair. Como quando se sonha que está caindo da cama e se acorda assustado tentando se segurar em alguma coisa. Mas isso é muito mais sobre ela do que sobre mim. É a sensação de quem sente, e não de quem proporciona a alegria do momento. É muito mais sobre sensibilidade, muito mais sobre permitir-se sentir do que sobre fazer sentir. A minha alegria, porém, era simplesmente admirar a beleza de tudo aquilo. Impressionante como me fascinava. As caretas de prazer, os sorrisos tímidos, o rosto e o semblante de quem está adorando e aproveitando cada segundo de cada pincelada de prazer; duas, três, quatro... dez vezes de uma vez só. E o mundo seria tudo o que eu mais quero o tempo todo. Mas, nada além do passado existe agora. Só me resta olhar para trás, e ouvir todos dizendo que olhar para trás está errado. De jeito nenhum. Não existe alegria sem passado. Não existe nada que faça sorrir que não tenha vindo de tudo o que senti. É o passado que me sustenta, que sustenta meu presente e norteia meu futuro. Escrever é o que me resta. Sempre que decido parar, escrevo mais e mais; e tudo o que eu faço na vida se resume a isso, por mais que eu tente dizer não, por mais que eu implore a mim mesmo para parar e por mais que eu tente furiosa e incoerentemente fazer outra coisa da vida. Escrever é o que me resta, e tudo se baseia em tudo o que já vivi, em tudo o que fez de mim o homem mais feliz da face desta terra cheia de confusão e infelicidade. O presente me traz isso, me traz a vontade de viver e sentir tudo de novo. O presente me ilude sobre o futuro que possivelmente nunca existirá. Mas, se não for assim, o que será de mim? O que resta nesta minha vida, se não acreditar e ter esperança sobre dias melhores e felizes, de mãos dadas e sorrindo feito criança por motivos bobos do dia a dia? E essa vida se tornando um zigurate de andares cônicos que não tem fim, um sobre o outro, como minhas memórias, minhas insônias, meus sonos forçados pela exaustão da madrugada e do amanhecer tardio. Finais felizes? Nenhum. Não quero os finais. Quero os dias, as horas, os minutos... quero cada segundo de felicidade. Não o final. O final não me importa. Quero todos os momentos com o sorriso estampado no rosto como a luz das pinturas mais humanas... como um renascentista antropocêntrico que tenta desesperado retratar a realidade e o pouco de humanidade que ainda existe dentro de cada um de nós. Tudo isso, para quê? Para que um dia nos aplaudam; pois, todos queremos ser o centro das atenções uma vez ou outra.

Sem o passado, de que me importa meu futuro? Não existe ninguém além, ninguém lá na frente. Ninguém que me satisfaça tanto quanto quem me satisfez em outros tempos, pois tudo se baseia em tudo o que já senti nesta minha vida... e o toque, o calor, a sensação... tudo está ligado intima e intrinsicamente ao calor de um só corpo e o cheiro de uma só pele. E não se faz mais passado como antigamente. Espero que não. E que a memória conserve seu rosto e sua existência, por mais que esqueça de qualquer outra coisa. O que importa é o agora. E meu agora é sobre tudo e existe em todos os tempos. Meu agora está lá atrás, desde o primeiro dia, implorando para que o amanhã seja tão caridoso quanto todos os carinhos que já senti.

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28/12/2017

Modelar sua percepção do mundo


E você aí pensando que é grande coisa. Mas deve ser mesmo. De repente, todos nós somos e não nos demos conta. Só percebemos o quanto o ser humano é importante quando olhamos para um. Mas, quem? Quem é esse? Somos nós? Ser humano não é sinônimo de humanidade. Humanidade é outra coisa. É um pertencimento. É sentido e sensação. Mas nós, não. Somos apenas humanos (demasiado humanos). E não fazemos ideia do quanto isso significa. E você aí se sentindo especial entre sete bilhões de concorrentes ao ser humano do ano. Tanta gente por todo o lado, e cada um em seu microuniverso acreditando piamente que deus está olhando diretamente para a sua cabeça, lá de cima, e dizendo algo do tipo “você é o cara, meu chapa”. E no fundo você sabe que Deus deve ter mais o que fazer.

Mas, tudo bem. Tudo certo. A coisa é assim mesmo. Depois do antropocentrismo, a gente sai por aí o tempo todo pensando que é a última bolacha no pacote. Entretanto, nem só de coisa boa vive o homem, não é mesmo? Quanta coisa te tirou do caminho e te fez repensar essa sua vidinha miserável? Tudo bem, tá certo, você deve ter conquistado muita coisa legal e positiva na vida. Mas, convenhamos... eu sei bem que, lá no limiar entre o sono, o sonho e realidade, em algum momento você pensa que poderia ter sido, feito e proporcionado mais. Fique tranquilo, meu amigo ou minha amiga dona de casa... Todos nós passamos por isso. Afinal, você não é o único a se sentir único. Eu, por exemplo, ainda admiro as casas pelas ruas quando as vejo e penso que algum pedreiro analfabeto as construiu, e acho incrível. Ainda reflito quando entro em um banheiro e percebo que alguém esteve ali mantendo tudo limpo, e esse alguém normalmente é um anônimo que nunca saiu em nenhum jornal, um Zé ou uma Maria qualquer que não é ninguém... além de alguém que está ali zelando e cuidando de nossas vidas sem que ao menos nos demos conta. E você aí divinizando cada momento do seu dia e dando graças ao abstrato, quando não é capaz de perceber uma fração da realidade. Prestenção! Prestem a atenção, meu amigo e minha amiga, e percebam o quão peculiar sonos todos nós em nossa humilde simplicidade. Ninguém é alguém sozinho. Somos só outro vislumbre de um louco qualquer sobre as águas. Novidade? Nenhuma. Acredite no que quiser. Até mesmo em você mesmo.

Sinta. Veja. Perceba. Reflita. Cheire. Suspire. Alegre-se. Contrarie-se. Ame. Sofra. Faça tudo o que lhe couber e parabenize-se por cada ato falho e vanglorie-se por cada acerto. Mas, não se esqueça dos milhares ao seu redor. Você é alguém justamente por existirem tantos outros ao seu lado. Ninguém é alguém sozinho. E você aí achando que é especial, enquanto um mundo de gente a sua volta pensa a mesma coisa de si mesmo e nunca ouviu falar seu nome na vida.
Sinta. Veja. Perceba. Reflita. Ame. E compreenda que não existe nada o que você possa fazer de ruim, e só produza e transforme coisas boas... pois o mundo ainda é o mundo, com ou sem você.

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27/12/2017

Eu sou o poema que não rima

Tão difícil quanto olhar ao espelho, aquele reflexo de alguém que normalmente não se reconhece, tão frágil e ao mesmo tempo repleto de cicatrizes. A maioria não aparece. Mas estão lá, todas elas, aos montes, profundas, abertas. Difícil refletir seu próprio semblante, difícil refletir o brilho dos seus olhos já opacos pela quantidade aterradora de pensamentos confusos que esmagam seus sorrisos. Ninguém sabe ao certo quem está olhando para quem. Mas, o reflexo não mente. Por isso pouco se reflete. Preferimos as mentiras. Passar os dias contando quantas vezes se nasce e se morre nessa vida. Quantos milagres fazemos dia após dia e nos negamos a dizer que não foi nenhum deus que nos ajudou. Quantas recordações e momentos extraordinários de uma vida que se consome a cada piscar de olhos. Quantas maravilhas, felicidades e lamentações. Temos um prazo de validade, e nos assustamos quando a data se aproxima. Temos tristezas e deixamos as lágrimas jorrar para apagar o fogo sufocante que queima o coração.

Uma paixão inesquecível, um grande amor, um desejo hercúleo sobre os ombros e a vontade titânica de sair correndo a procura de alento em braços quentes e reconfortantes, em lábios suculentos, em cheiro de pele matutina sob lençóis translúcidos. E a fuga. A necessidade. O pecado e a falta de perdão por escolhas amedrontadas que futuramente parecerão piadas de mal gosto. A escrita que registra fatidicamente a sanidade e ao mesmo tempo contradiz a realidade. Essencialmente inocência. A maldade pelo querer o bem, e nada se consagra, pois tudo se atreve a cair como pedras em um abismo. Nada se perpetua. Nada se eterniza. Uma pena. É triste. E eu sou este que escreve e que não gosta do que lê. Aquele que, ao mesmo tempo em que quer fazer valer a pena acaba deixando a desejar, pois o tempo passa e nada mais importa: somente a permanência do sorriso e da presença. A liberdade poética e literária de um clichê que dilui a angústia em pedras de gelo.

E a vida?, você pode perguntar. E a vida? A vida é o que acontece quando não estamos prestando atenção. Essa frase não é minha, eu acho. Esse é o problema. Faltam as fontes e as referências que com o tempo se perdem em quantidades industriais de páginas e mais páginas, de dar câimbra nos dedos. Toda a alma. É toda a alma. Não saber mas quem somos faz parte do jogo da vida, pois sempre nos perdemos meio a transformações que acontecem sem que percebamos. Quando vemos, pronto: tudo diferente, e tudo o que mais se quis se afasta ficado cada dia mais para trás, numa distância colossal de um horizonte monocromático, que perde a cor gradativamente até o zero absoluto, sem cor, sem contraste, sem o reflexo da lua. Eu perdi o jeito. Perdi o rumo, o caminho, os tijolos dourados e as migalhas de pão comidas pelos pássaros. Dançando na areia como aquela pequena dançarina. E se percebe que é areia movediça, e quanto mais se dança, mais se afunda alegremente. Os dedos se movem com velocidade numa conexão fantástica entre o cérebro e as mãos. Falta de atenção, nenhuma. Total. O tempo todo. A súplica: súbita! A falta de sincronia, de simpatia, de ritmo, de simetria emocional. Mas, tentamos. E tentamos furiosamente dia após dia buscando as melhores maneiras de, em algum momento, dizer: Consegui! Fui feliz. Pois, ser feliz é ilusão, quase um pesadelo. Só você pode me ouvir, por mais fracas e calmas que sejam as palavras em busca de entendimento.


E tudo o que se pede, sabe-se lá para quem, é para que não sejamos essa criança assustada.
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26/12/2017

Três livros inéditos no primeiro semestre de 2018

... No mínimo.

Já faz um longo tempo que reviso e escavo e garimpo todo o meu material já produzido até hoje. Muitos deles realmente não servem para nada; mas, alguns ainda podem ser salvos. Então, a ideia é publicar tudo o que eu tiver disponível até o final de 2018, e iniciar 2019 com material (novo e) inédito.

Então, pretendo publicar mais dois ou três livros no primeiro semestre de 2018. Tenho muito material escrito entre 5 e 10 anos atrás, no mínimo, e vou lançar cada um deles em formato digital e gratuito. Todos passarão por revisão e certa reedição, mas, os conteúdos não serão alterados. Quero manter a originalidade de cada texto inserido em cada período no qual os escrevi. Se eu revisar muito, se tornarão textos de agora, o que diminuiria grande parte de meu trabalho literário do passado.

Por mais simples e fracos que possam (ser) parecer, a alternativa é torná-los públicos. Outra opção é destruí-los (como fiz com ao menos seis livros que eu havia finalizado, e após revisão, percebi que estavam tão distantes de mim que não faziam o menor sentido). Porém, preservei alguns textos, e os publicarei. Não cabe a mim dizer se são bons ou se valem a pena. Meu trabalho é escrever.

Ainda no mês de janeiro será o título “Negue-me e será condenado”; uma compilação de vários textos e recorte de livros que eu vinha escrevendo há muito tempo.

Alguns destes trabalhos são pura ficção, entre contos e histórias de diversos gêneros, outros, como é o caso do "Negue-me e será condenado", são uma mistura de ficção, filosofia e opinião, trabalhados em narrativas.

Então, a dica é ficar de olho aberto aqui no site e nas redes para baixar gratuitamente.

Forte abraço a todos.


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