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24/07/2018

A falsificação do nada [verborragia]

A rotina de recomeçar, tentar de novo, do início, do zero. A realidade que nunca acaba de alguém que sempre busca pela tranquilidade, pela felicidade, e se pega imaginando que isso ainda existe. Nem tranquilidade, nem felicidade. A rotina é a realidade. E é volátil. É caótica. Não segue regras. É pela beleza de simplesmente ser e de se transformar. É ela que nos obriga. É ela que nos desacredita. É a esperança. E esta, a esperança que é sempre a única que morre, e não é de hoje.

Os dias passam e tudo o que existe é uma contagem regressiva que começou logo na concepção. Na fecundação. Quando um esperma sortudo e vencedor numa noite de carência e arrependimento encontrou calor num óvulo desatento. Assim começa o sofrimento. Não com o conhecimento da palavra, mas com o nascimento. E estamos aqui, agora, sendo melhores do que nunca num mundo cheio de pessoas melhores do que nunca repletas de cosias a ensinar, que em sua maioria todo mundo sabe.

É esse o detalhe que ninguém viu: todo mundo já sabe, mas ninguém faz questão de

19/07/2018

Tédio e tentativa [verborragia]


Já fazia um tempo que eu não escrevia uma bobagem ou outra, alguma vontade, alguma ação, alguma experiência. Não que não tenha nada acontecendo de interessante, ou sei lá. Acho que tem acontecido muita coisa. Esse é o lance.

Em certo momento parece que tudo é absolutamente banal. Tudo vira rotina. Até as pessoas se tornam banais e parte da rotina. É cansativo. Olho ao redor e me dá vontade de apenas inspirar fundo e expirar bem devagar, com aquela cara de tédio.

E faço tudo isso com uma naturalidade deprimente e irritante.

Acho que vou para o inferno. Não depois de morrer. Deve estar mais interessante por lá agora; e aqui, chato como um céu branco sem prazer.

De repente sou eu. É parte de mim. Talvez uma grande parcela de culpa em toda essa chateação.

27/05/2018

Pavimento [verborragia]


Sempre que surge a vontade de fugir, de sair correndo, de simplesmente dar as costas e deixar todo o resto para trás, lembro exatamente de tudo isso, toda essa estrada que percorri e deixaria para trás servindo apenas de memória para os frequentes dias de solidão e embriaguez.

De alguma forma, todos estes caminhos e estas estradas nos levam de volta para casa em algum momento de nossa vida, sabe-se lá quando, seja lá aonde for, aonde quer que nosso coração esteja no meio da noite.

Para a mente, uma mente incomum como qualquer outra, existe esta eternidade do tempo quando não queremos esquecer um sorriso. Mas, o corpo definha, e com ele nossas energias.

Quero que você me queira [verborragia]


O “para sempre” só é bom enquanto dura, enquanto existe permanência. “Para sempre” só é bom enquanto seu coração se aquece e o sangue pulsa numa velocidade incontrolável. “Para sempre” só é bom enquanto existe “para sempre” o suficiente para que as mãos continuem dadas na calçada ou no supermercado.

Existe “para sempre” na memória, no corpo, na pele, no aroma e na vontade que não vai embora. E fica tudo por isso mesmo, sem volta, sem toque, sem lábio, sem umidade, sem seu corpo molhado. Pois, só existe “para sempre” em meu querer, no desejar, na esperança que é a única que morre.

Nada de realmente bom acontece quando você não está lá, quando ainda não chegou, porque realmente nunca vai chegar; e nada de realmente bom acontecerá. Os caminhos para casa serão sempre nebulosos, confusos como os motivos do distanciamento e da indiferença.

Enquanto isso, no peito bate uma saudade, não um coração; e nas veias correm lágrimas; e nos olhos brilham lembranças; e no corpo o abraço que falta toda noite. E tudo está perdido.

12 de maio de 2018
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30/04/2018

Nostalgia e inconsistência [verborragia]


É como se tudo o que eu dissesse ou fizesse fosse em vão. Tudo vago. Um punhado nunca compreendido de coisas vagas que só trarão nostalgia para mim no futuro. Apenas para mim e ninguém mais. Possivelmente, um monte de coisa sem sentido quando contadas. Contar, talvez para me redimir de alguma coisa. Talvez para me vangloriar e alguém dizer algo do tipo “poxa vida, isso foi bonito da parte dele”.

Mas não é assim que a banda toca. Não é essa a afinação nem a harmonia, e a letra também é outra.

São tantos gestos, tanta mímica. Uma dança sem ritmo e sem fim. São tantas palavras que saem desta minha boca... a grande maioria provavelmente nunca será ouvida, quem dirá lembrada. E a nostalgia de mim mesmo. Saudade do que houve pela vontade de querer transformar novamente o que houve para transformar o que existe agora. Nada.

Transformação. Nostalgia. Uma realidade vaga, inconsistente, nebulosa.

E eu que era tão bom com as palavras. Talvez tenham saído da minha boca muito mais do que o necessário. Dê uma arma de fogo a um macaco... quem sabe ele se saia melhor do que eu com as palavras que não me custam nada, além da solidão, da inconsistência, da realidade vaga e nebulosa.

30 de abril de 2018
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09/04/2018

Intragável [verborragia]

Intragável

Serviram-me um café absolutamente intragável.
Um café ruim, péssimo, café viscoso. Quente, mas, parece morno para frio por causa dessa viscosidade.
A vida às vezes é assim: viscosa. Intragável, às vezes. É nojenta como esse café. A xícara e o pires no qual me serviram são até bonitos e meio delicados. Como a vida. Às vezes bonita, mesmo com a delicadeza de um rinoceronte enfurecido.
Cheiro de gasolina por toda a parte. Lugar esquisito. Visto de fora para dentro até que parece legal, mas, de dentro para fora, a visão da rua, das pessoas, do tipo esquisito de gente feia e esquisita... tudo normal. Deprimente. Gente pedindo dinheiro, pedindo um gole de café de garrafa na porta ao lado. E eu pensando "o que estou fazendo aqui"?
Quando ela chega, imediatamente digo para não pedir café. "Escolha outra coisa". O segundo pior café da minha vida. Pergunto por que aquele lugar, por quê aquele café, e ela diz que é "para descontar o vinho ruim e barato" de noites atrás.
Ela se levanta, eu pago a conta e saímos para outro ponto menos constrangedor. Espresso de qualidade, bolo de cenoura com chocolate e duas colheres no prato.
Passo o tempo todo tentando entender por quê ela fala tanto e o que diabos quer dizer com tudo aquilo, além de sua insegurança e ansiedade aparentes.
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04 de abril de 2008