27/05/2018

Quero que você me queira [verborragia]


O “para sempre” só é bom enquanto dura, enquanto existe permanência. “Para sempre” só é bom enquanto seu coração se aquece e o sangue pulsa numa velocidade incontrolável. “Para sempre” só é bom enquanto existe “para sempre” o suficiente para que as mãos continuem dadas na calçada ou no supermercado.

Existe “para sempre” na memória, no corpo, na pele, no aroma e na vontade que não vai embora. E fica tudo por isso mesmo, sem volta, sem toque, sem lábio, sem umidade, sem seu corpo molhado. Pois, só existe “para sempre” em meu querer, no desejar, na esperança que é a única que morre.

Nada de realmente bom acontece quando você não está lá, quando ainda não chegou, porque realmente nunca vai chegar; e nada de realmente bom acontecerá. Os caminhos para casa serão sempre nebulosos, confusos como os motivos do distanciamento e da indiferença.

Enquanto isso, no peito bate uma saudade, não um coração; e nas veias correm lágrimas; e nos olhos brilham lembranças; e no corpo o abraço que falta toda noite. E tudo está perdido.

12 de maio de 2018
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