08/02/2012

O Céu está em Chamas - Parte 2


Parte II


Agora, como podemos pensar em sermos felizes quando estamos cobertos até o pescoço com problemas bestas, empregos que não nos deixam viver, e uma vida confusa cheia de falta de crítica e raciocínio lógico, óbvio? Como podemos pensar em mudar algo em nossas vidas quando ao menos reconhecemos que possuímos uma, e que esta nossa vida está ligada inteiramente ao mundo de trabalho, ou ao capitalismo neoliberalista, ou seja lá qual for o motivo pelo qual somos completamente cegos?

Não podemos viver entregando os pontos àqueles que pensam possuir o poder sobre nós. Vamos sair do campo de plantio e colheita de fabricação de mão-de-obra, e vamos partir direto para o campo de batalhas. Este sim é o correto. O que devemos fazer. O Homem se tornou escravo do tempo industrial, do consumo daquilo que nós mesmos fabricamos e inventamos. Tornamos-nos escravos de nossas próprias anti-necessidade; isto sim é verdade. Esta é a era do consumo de não-necessidade. Consumimos, compramos o que não precisamos a preços bizarramente altos. Alguém inventa uma falsa promoção, de algo que custa mil reais, aumenta este preço propositadamente para mil e quinhentos, e faz a propaganda de mil e cem, chamando isto de promoção. E nós, claro, sem ao menos necessitar, abrimos nossos olhos podres e iludidos em um sorriso indecente, corremos para a loja e deixamos mais da metade de nosso salário em uma entrada, parcelando o restante ao período do resto do ano; o que eleva o preço para quase uma vez e meia a mais do preço original (mas é claro que ninguém faz questão de lembrar deste detalhe). E ficamos contentes... Ou não? Somos vítimas de nossa própria ilusão. Que esplêndido... A santa ignorância impera. Aleluia.

Queimem sua moral iludida, senhoras e senhores, e voltem à realidade. Não como o clichê de voltarmos para o futuro. O passado nunca termina, e vivemos o presente como se este não fosse nosso tempo real. O que há de errado humanidade? Qual é o problema das pessoas? Porque querem destruir a si mesmas? Queimem-se vivos. Isto sim é o melhor que podem fazer. Pois, se os velhos costumes morrem com as velhas pessoas; então estes novos e medíocres costumes alienados e alucinados morrerão também com a sociedade pós-moderna. Quem sabe assim nasça uma nova identidade humana de realidade.

O Homem odeia a si mesmo, pois é uma variedade de si mesmo. Não consegue ser original. Reinventa o que nunca fora inventado, e diz não estar contente. Por isto as coisas não dão certo: pois são cópias do que nunca fora inventado anteriormente. Somos, hoje, uma idéia de ser humano que ninguém teve o prazer de sonhar com. Onde estaria o original? Ou somos apenas fruto de cópias sem essência? Isto parece muito mais provável. Nada de platonismo. Este parece ser o resumo da ópera humana.

...