08/02/2012

O Céu está em Chamas - Parte 1

Parte I


A pergunta que podemos fazer para o começo seria: por que razão os Homens estão tentando destruir suas cidades, seus países, seu planeta, e, principalmente, a si mesmos? Qual seria a maldita razão para isto? Existe hoje em dia um grande “que se foda tudo”. E ninguém mais leva a si mesmo a sério. O que é uma coisa muito ruim. Por quê? Por alguma maldita razão. Sabe-se lá qual. Talvez sua própria existência. O que vale mais a pena para cada um? Ser um Homem, ou uma parasita, um rato?

Tudo bem, é verdade que hoje vivemos em um mundo de cerveja sem álcool, cigarro sem nicotina, café sem cafeína, sexo sem prazer... Amor sem amor, felicidade comprada em supermercados ou uma loja qualquer. Isto pode parecer um pouco chato, um tanto irritante, uma merda de realidade sem essência. Mas é esta á questão: tudo o que se consume, parece não ter sua verdadeira essência. Estaria o Homem se afastando também da sua? Sim, senhoras e senhores. Bem-vindos ao ilusionismo social. Um circo de horrores no qual as personagens principais somos nós mesmos. Pagamos para assistir cada ato, e consideramos tudo uma verdadeira porcaria, pois ao menos isto nós fazemos certo.

Está certo, este não é para ser um livro de auto-ajuda. Até por que imagino que esta droga de auto-ajuda é uma tremenda besteira. Quem é o idiota que acredita? Todos. É verdade. Do contrário não se tornariam best-sellers. É o que todos procuram. O que faz a alegria das pessoas dignas de piedade. Aquelas que não são capazes de olhar para si mesmas, encontrar o erro, se é que exista algum, e resolvê-lo. Livros de auto-ajuda dão uma grande mentira. Este aqui é um livro de auto-rejeição. Ou apenas uma merda qualquer escrita para chamar a atenção. Isto sim pode ser mais conclusivo. Um mais um livro medíocre aos mesmos leitores. O fato é que: auto-ajuda não ajuda ninguém.

Há alguns anos atrás percebi o quão hipócritas são as pessoas. Em outro livro chamei isto de hipocrisia-hipócrita. Pois, ela finge a si mesma. As pessoas mentem tanto que acabam mentindo para as próprias mentiras. A verdade nunca está presente. Ao invés de corrigirem um erro, um “engano” mal dito, preferem inventar outra história que dê uma nova maquiagem aos fatos, e expliquem melhor e facilmente as coisas. Mas a verdade é dura e crua demais. Quem sabe por este mesmo motivo é que existam vários alcoólatras modernos: um gole de whiskey ajuda descer melhor o gosto amargo e pesado da verdade, nunca dita em público.

Mas vamos falar um pouco sobre um dos maiores vícios, talvez o maior, que o Homem um dia possa ter sentido: a companhia; a união, a convivência afetiva. Por qual razão as pessoas não conseguem viver um pouco mais sozinhas? Porque esta necessidade quase doentia de possuir alguém ao nosso lado? Mal saem de um relacionamento e logo caem de cara em outro, com uma pessoa quase desconhecida. Este é um vício fatal, catastrófico, lamentável. O ser humano é dependente desta droga. Por quê? Porque é fraco. Necessita de alguém ao seu lado para se apoiar. Não julgo isto um erro. No entanto, onde está seu instinto de sobrevivência? Onde está a mais-força? Tentem isto, pessoas: unam-se primeiramente a si mesmos, e descubram-se desta maneira. Existe um prazer quase sexual neste ato. A solidão é a angústia temida pelo Homem. Mas pode ser muito bem trabalhada. Isto impede que nos lamentemos por uma relação conjugal um tanto infeliz; a solidão impede a traição de qualquer forma apresentada. E esta não é uma conversinha de um solitário oficial. Existe um fundo de racionalidade nesta questão, que devemos entender e lapidar.

Existem algumas verdades sobre o Homem, as quais conhecemos muitíssimo bem, mas que não damos o braço a torcer para acreditar que somos assim. A primeira é que o Homem é um ser totalmente imerso em oportunismo. Somos capazes de tudo para abocanharmos uma chance qualquer, que nos valerão algum dinheiro à mais, ou uma boa noite de prazer em uma cama barata de motel, ou um beco escuro com baratas, ou com uma mulher barata. O oportunismo está presente em nossos instintos primais. Mas é de seu caráter moderno que devemos nos envergonhar um pouco, e talvez mudar alguns hábitos. O Homem também é um posso de mentiras. Mas isto nós já sabemos bem, e discutimos um pouco acima. O Homem mente para si mesmo, e acredita piamente em suas próprias ilusões e falsidades. Ser vazio, obsoleto, fútil, também é um vício, uma realidade do ser humano. Para que sermos mais, tornamo-nos melhores, se conhecemos muito bem a acomodação, o ócio?

O Homem também é um ser verdadeiramente contraditório. É muito difícil hoje em dia encontrarmos um alguém que leve-se à sério a ponto de não contrariar-se, a ponto de considerar-se valioso o bastante em suas palavras, atos, desejos, etc. Hoje um homem não é visto com bons olhos caso este se valha da companhia de uma garota mais nova, ou até mesmo menor de idade, entre seus dezesseis ou dezessete anos, nada muito absurdo. E com as mulheres este moralismo moderno funciona mais ou menos da mesma forma. Uma mulher é tida como vagabunda caso tenha consigo um garoto mais novo. Dizem que esta gosta de garotos viris, durões, se é que me entendem. Mas a verdade é que vendamos nossos olhos para toda esta falsa moralidade, pois as necessidades humanas, em relação à união, seja lá de qual maneira, são ainda mais fortes. As pessoas deixam, novamente, a realidade de lado; e enfiam-se em um buraco fétido de estrume, e vicioso, chamado falsa-realidade. Uma realidade montada de acordo com suas necessidades individuais – fazendo com que as pessoas com que se quer algum tipo de convívio acreditem e vivam também neste mundo. O que é errado é errado apenas para com os outros. Ou seja: não serve para nós mesmos. Apontamos o dedo na cara das pessoas para julgar-lhes. Mas quando somos julgados, isto nos incomoda mortalmente. E mais uma vez fechamos os olhos para nós mesmos. Pois, não temos coragem de julgar-nos a si próprios. Eis a necessidade da fantasia, da hipocrisia-hipócrita.

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