07/10/2017

Diário: Confissões de Amor, Solidão e Arrependimento

Nota: Não sei até quando escreverei essas confissões, mas tentarei fazer isso diariamente: todo dia uma confissão sobre o que houve e o que há, o que vi e vivi, os momentos mais desesperadores da minha vida. Não tenho pretensão, além de escrever sobre o amor e tirar um pouco da angústia que sinto no coração.
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Como é fácil dizer "você tem que crescer", "amadurecer", "já passou", "segue a sua vida". Como é fácil se esquivar e dizer que o outro está errado. Dizer "imaturo" quando tudo o que se demonstra é o medo e a esquiva de encarar o erro. Difícil é ter coragem de assumir o pior erro da vida e retornar ao que precisa ser corrigido.

Cinco meses e quatorze dias no abismo, numa solidão repleta de sentimentos tão brutais que estilhaçaram meu coração como um espelho em pedaços, enquanto, desesperado, eu tentei juntar cada caquinho e ver o que sobrou do homem no reflexo. Sobrou pouco, quase nada. Sobraram um homem e uma vida, vazios. Olhos tão profundos, que neles via-se apenas o desolamento.
Claro, escolhas são escolhas, por piores que sejam. Mas, dar as costas? Tornar o amor um sentimento de rancor para tornar a vida possível? Transformar uma vida de luta e grandes momentos em sentimentos controversos de negação? Não. Prefiro amar. Prefiro dizer o que sinto e não fugir, não errar mais, não de novo. Nunca mais.

Sofri com a atmosfera rude e confusa daquele lugar (como sofremos juntos anteriormente). Sofri dia e noite e me enfiei no trabalho e em bicos para pagar as contas, juntar dinheiro, comprar um grande presente, me exaurir para passar o tempo enquanto me perguntavam: "o que você está fazendo aqui"?
No começo era fácil responder. Depois ficou difícil, difícil entender o que havia acontecido. Eu não conseguia encontrar um motivo real que tenha nos separado. A sensação era de que havíamos nos separado, mas não terminado, não encerrado a história, todo o amor. Maldita decisão. Confusão e medo. A atmosfera. Aquilo tudo foi devastador para ela. Para mim também, não escondo.

Não me importei com o frio. Não me incomodou dessa vez. Mas, de repente fiquei doente… por mais de quinze dias. A sensação de dormir sem saber se iria acordar na manhã seguinte. Tossindo sangue. Emitindo alguma espécie de ruído ao invés de voz. O corpo doente. Fraco. A visão turva. A pele pálida, cadavérica. Não faltei um só dia no trabalho, andando a pé toda aquela cidade, sob fortes chuvas. O choro me acompanhava em casa e nas ruas, e só um pensamento me mantinha lúcido, uma só pessoa em minha cabeça e meu coração. Com seu sorriso em minha mente pude enfrentar o medo e acordar no dia seguinte. Mas, acho que eu já havia me tornado um fantasma. Nesse ponto eu já não existo.

Às vezes tento contar o que passei, explicar, dizer a alguém o que aconteceu nesses meses de desespero, mas não consigo. Não encontro as palavras; como se fosse incapaz de traduzir as sensações. Pois, apesar de saber exatamente o que houve em cada um daqueles dias, sinto como se o tempo estivesse congelado e eu dormisse e acordasse no mesmo momento, sem conseguir sair daquele lugar que me assustava e que devastou tudo o que existia de melhor em minha vida.

Aos poucos vou me explicando melhor por aqui, e tentando entender ao mesmo tempo. Queria que fosse tão fácil compreender como é fácil ser julgado.

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