23/07/2013

Visão do fenômeno populista baseada na análise dos textos: “A Formação do Estado Populista na América Latina”, de Otávio Ianni e “A Revolução Mexicana”, de Héctor Alemonda.

Ensaio
 
 
Marco Buzetto é escritor, professor graduado em História e pós-graduado em Filosofia aplicada à Educação pela Faculdade São Luis de Jaboticabal-SP.
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Palavras-chave: Populismo; América Latina; Revolução Mexicana; Estado Populista; Fenômeno Populista.
 
Resumo:
No decorrer destas páginas, tem-se como objetivo analisar o texto A Formação do Estado Populista na América Latina, do autor Otavio Ianni, levando em consideração fatores importantes relatados por Héctor Alemonda no texto A Revolução Mexicana.
 
Pretende-se apresentar comparações necessárias que estes dois autores demonstram sobre temas que abordam classes, partidos e representações políticas em um grande processo de transformações e modificações ao decorrer dos séculos XIX e XX; expondo os fatores e intenções ocultas na política utilizada por Porfírio Díaz, Emiliano Zapata, Madero, De la Barra , Pancho Villa, Venustiano Carranza, Lázaro Cárdenas entre outros homens que chegaram ao poder sobre solo latino, que utilizaram de sua simpatia, gerando o próprio efeito populista, seu poder oligárquico, militar e ditatorial para garantir sua ascensão ao poder.
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Introdução

Para começar, devemos apresentar o cenário de discussão que pretendemos atingir. Este é a América Latina, nas décadas de 1920, 30 e 40. A política utilizada neste processo é a democracia. No entanto, esta está fortemente envolvida em um modo representativo e grosseiramente repressivo.

Ao longo dos estudos formulados sobre políticas e medidas de dominação na América Latina o populismo está fortemente presente, sendo um fenômeno comumente estudado por especialistas nesta área. Existindo, também até hoje, grandes estudos sobre o tema, que remetem a partidos políticos, movimentos insurgentes de massas, e grandes líderes partidários e suas ideologias. Estudos ligados a outros problemas políticos também trazem à tona o populismo latino-americano. Este fenômeno parece ser e estar frequentemente presente nos anais político-partidários em todo o globo (ainda que menos estudados e visíveis).

Podemos afirmar que a passagem do Estado oligárquico para o populista está atrelado a idéia de ruptura, pois o segundo tipo de governo é incontestavelmente antiimperialista, pois são mais favorecidos ao desenvolvimento nacional do que atrelados a políticas exteriores (no entanto, este pensamento leva a maiores índices de dividendos para a nação, criando maior acúmulo de capital econômico); neste gênero demonstram a passagem de sociedades arcaico-rurais, tradicionais, para sociedades urbanizadas e industrializadas, visando a modernização do Estado. Discutimos, por meio destes fatos, estudos sobre a representação relativa entre elite-massa, carisma-demagogia, democracia-autoritarismo, populismo-fascismo e outras características visíveis ou ocultas.

Cunhado sobre uma forma oculta, o populismo exprime intenções constantemente modificadas, mesmo que sua base seja a mesma durante determinados períodos de governo. Mudam-se os termos, os domínios, as teorias e as influências; mudam-se os nomes, as pessoas, os líderes e por vezes até mesmo os países. Mas uma coisa que nunca muda, é o alvo, o foco, o caráter peculiar que envolve todos os grupos e classes sociais fragilizados durante processos anteriores ao populismo (que dizem respeito à visão do Estado oligárquico), e o que este utiliza desta fragilizada organização à seu proveito, para melhor fomentar suas intenções e gerar ainda mais dominação perante os indivíduos, atuando na economia, na sociedade, cultura, comportamento, e por várias vezes afastando até mesmo os movimentos religiosos de seu território, fazendo com que o povo torne-se castrado perante o sistema de governo vigente.

Não somente os países latino-americanos tiveram sua experiência populista, pois também a Europa viu-se fortemente inundada por semelhantes personagens, os quais fizeram com que o povo os acreditasse, movendo-os em larga escala às lutas partidárias.

O Brasil também gerou seu próprio líder populista, na figura de Getúlio Vargas, que durante os anos de Segunda Guerra Mundial, por afinidade aos ideais nazistas, até mesmo se filiou à Alemanha da época, garantindo, assim, sua personificação perante o povo, que instigadamente (e também repressivamente), o apoiava – existindo, obviamente, outros fatores decisivos para esta representação simbólica perante o povo.

Até hoje, então, observamos que fenômenos como o cardenismo no México, o peronismo na Argentina e o varguismo no Brasil são constantemente estudados por vários estudiosos políticos, historiadores, sociólogos e até mesmo psicólogos, que procuram uma melhor compreensão ao redor destes fatos e ideologias exclusivamente personificadas, as quais atuam favoravelmente aos ideais de governo que pretende, por conseqüência, o domínio da sociedade por meio do poder estatal.
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