09/10/2017

Diário: Confissões de Amor, Solidão e Arrependimento

Nota: Não sei até quando escreverei essas confissões, mas tentarei fazer isso diariamente: todo dia uma confissão sobre o que houve e o que há, o que vi e vivi, os momentos mais desesperadores da minha vida. Não tenho pretensão, além de escrever sobre o amor e tirar um pouco da angústia que sinto no coração.
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Numa noite, deitado no sofá, pois a cama já não era minha cama fazia tempo, pois era apenas solidão... numa noite no sofá acordei suando frio, subitamente, com o coração batendo tão forte que dava para vê-lo pulsar, o peito doendo pelas batidas. Pensei "pronto, é agora". E a oportunidade de pedir perdão? Acabaria agora? Tentei me acalmar, levantei e fiquei andando pelo apartamento. Aconteceu o mesmo na noite seguinte e na outra e na outra. Acordava subitamente no meio da madrugada, em todas as vezes sonhando com ela. Na verdade, não me lembro de uma noite sem ter sonhado com a pessoa mais importante e necessária da minha vida.

Além de tudo o que estava acontecendo, agora isso. Susto após susto, noites e noites. De imediato parei de beber (não que eu tivesse me tornado um dependente), e parei também com o café. Há meses não bebo uma xícara de café. Nunca mais usei a máquina de espresso que havíamos comprado. Sacrifícios, quem sabe. Tentando manter o corpo e a mente puros para o dia que eu finalmente conseguisse voltar e pedir perdão.


Também passei a ganhar um pouco mais no trabalho, e agora eu conseguia juntar um pouco de dinheiro. No armário, um vidro de Tabasco e um potinho de fermento que eu nem lembrava quando havia comprado (Foi para fazer o bolo de aniversário dela, um mês antes da separação. E que bolo, que surpresa). Não tinha mais nada no armário. Fazer comida para que e para quem? Não tinha graça. Eu adorava cozinhar para ela e vê-la comer. Eu comia no trabalho e juntava todo o dinheiro possível para acertar umas contas conjuntas e manter minha responsabilidade. Consegui. Poupei. Comia quando podia. Fiz todos os sacrifícios possíveis.

Trabalhava três períodos e ainda pegava bicos do tipo pintar alguma casa. A grana que entrava eu pagava minhas contas básicas (básicas mesmo) e guardava o resto. Como eu tinha a chave do trabalho, ia para lá de madrugada adiantar o trabalho para o outro dia e pagar horas que me eram cedidas para outros compromissos. Se antes eu tinha uma dificuldade cômica para saber que dia era acordando cedo e dividindo o dia em dois, agora eu não sabia quando terminava um dia e começava outro. Exaustão. Sacrifício por amor. Consegui juntar dinheiro e comprar um presente que significasse e carregasse consigo toda a minha súplica por perdão e todo o meu amor. Uma aliança de uma vida real e completa.

Ameaças, dificuldades, problemas de saúde, solidão, angústia, saudade, arrependimento. Não! Não era a minha hora ainda. De jeito nenhum. Não antes de encontrá-la novamente e poder dar o abraço com o maior carinho e a maior saudade do mundo.

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