05/05/2011

Meu primeiro acidente (supostamente) grave.

Imagine uma terça-feira à noite na qual você está certo de que nada de ruim irá acontecer... Uma noite normal em um dia normal de trabalho. Você sai de casa como faz todos os dias, passa pelos mesmos caminhos e faz exatamente os mesmos trajetos na mesmíssima velocidade com a qual está acostumado. Chega até o trabalho, encontra as mesmas pessoas, faz praticamente as mesmas coisas... Toma um cafezinho, e volta para casa fazendo o mesmo percurso. Nada tão extenso; uns 65 quilômetros por dia.
No meu caso, faço este mesmo trajeto há pouco mais de um ano, todos os dias.

Agora, imagine toda esta mesma cena, porém, com um modificador: um carro na contramão.

É o que faz isso

                                      Virar isso.








E em poucos segundos você se levanta, atordoado, olha para trás e vê que você foi projetado no mínimo há 10 metros de distância de onde caiu. E tudo o que o “motorista” do carro na contramão diz é: “ainda bem que você não se machucou muito. A moto dá pra arrumar”.

Bom, este fato aconteceu comigo na noite desta terça-feira passada, provavelmente às 19:30h enquanto eu viajava de minha cidade à outra para lecionar, como sempre faço.

Me levantei, levantei minha motocicleta, me localizei, recobrei os sentidos, mantive a calma mesmo com o sangue tingindo o ambiente, fiz uma contagem parcial dos tragos... E uma hora depois fiz questão de estar na sala de aula; mesmo sabendo que seriam aulas perdidas, tendo em vista a visível e cansativa falta de vontade, respeito e educação dos alunos, com a qual, infelizmente, nós professores, já estamos nos acostumando.

Este acidente me proporcionou, estranhamente, uma das visões experimentadas mais estranhas que já tive: todo o percurso no qual eu me esfolava pelo chão passando há centímetros do meu rosto pela viseira do capacete. Lembro-me perfeitamente do asfalto negro terminando, e uma camada tão dura quanto ele, de terra, se iniciando diante dos meus olhos. Dava até para contar as pedras pelo chão, de tão próximos que se encontravam meus olhos e a superfície.

Ah, já ia me esquecendo. Sabem aquela luz no fim do túnel, não a sigam. Provavelmente é um automóvel na contramão.

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