24/04/2011

Crônica - "Eu odeio a Rebeca!"

Crônica 39

Não era difícil entender o motivo. Ela simplesmente não gosta da garota, e pronto. Achava-a vulgar, oferecida, “sem vergonha”, segundo dizia.

Porém, quem é ela? Quem é esta garota que tanto detesta a existência de Rebeca? E, além disso, qual seria o motivo por tanto rancor contra uma pessoa tão sincera e original? Ninguém sabe ao certo. Nem mesmo esta garota de beleza e simpatia surpreendentes.

Que não gostava de Rebeca, disto não se tinha dúvidas. E a propósito, qual é seu nome? Ah sim. Sim, este nome cabe perfeitamente. Jakellyne! Exclamarei novamente: Jakellyne é seu nome. Que lábios! Que boca macia, fina. Um cheiro de pele deliciosamente digno de vontade em forma de um pecado cheio de desejo; um pecado querido; um pecado de décimo sexto olhar. E por falar em olhar, um par de olhos lindos, divididos entre a vontade e o receio, o desejo e o medo.

A noite começou para ela, Jakellyne, justamente na primeira madrugada do ano, 2011. Olhou ao seu redor, parecendo procurar alguma coisa muito importante, alguém muito especial não somente naquele momento. E não demorou muito para que o avistasse, meio de longe. Ela em um grupo de pessoas, ele rodeado por tantas outras. Ele a viu, e seu coração parecia bater a mil por hora, o sangue correndo em suas veias se tornava ainda mais veloz. Apenas um pensamento em sua mente: “é ela”! E com este pequeno dizer na mente deste qualquer, um sorriso extremamente expressivo de felicidade explodia em seu coração. Foi o abraço mais esperado da noite, durante tantas noites antes desta. E ela, Jakellyne, no momento em que o vira, no momento em que seus olhares se cruzaram, desabrochou um sorriso magnífico, majestoso, repleto de ansiedade. E aquele sentimento mínimo de medo já pairava sobre sua cabeça. Este medo, porém, era um sentimento leve, apenas cauteloso, que chamava sua atenção para o cuidado, mas não por algo perigoso, e sim por algo novo, desconhecido... Mas o qual ela confessava desejar.

Jakellyne estava linda. Sempre foi uma garota muito bonita. Mas naquela noite estava rodeada por uma beleza incomum: sentimento. Um sentimento gostoso a abraçava naquele momento. Uma saia preta que fazia o branco de suas pernas se tornarem ainda mais visível, com uma blusinha tal branca quanto, justa, com um leve decote que mal fazia diferença. Mas tudo isto nela ficava delirantemente luminoso. Ah!, quase me esqueci: sua pele macia, deliciosa; seus lábios adoravelmente doces e sedosos, seus olhos e olhar marcantes; seu corpo delicado... E seu cabelo... Ah! seu cabelo. Extravagantes fios dourados de tamanho invejável que desciam por seus ombros e seios como uma queda d’água de ouro puro, volumoso, flamejante.

Ela estava tímida! Estava com certa vergonha quando começaram conversar sobre saírem rumo a um lugar mais reservado, mais tranqüilo, onde pudessem ficar a vontade um com o outro.

Momentos mais tarde, lá estavam os dois, Jakellyne e ele, um qualquer vindo de fora. Lá estavam eles, sobre o sofá em uma casa tranqüila; esta casa estaria vazia se não fosse o fato dos dois estarem ali sem mais ninguém. E é aqui que a história toma um novo caminho, um novo conto... É sobre este sofá que os lábios se encontram, que os abraços são distribuídos; é sobre este sofá que o cheiro de pele exala por toda parte. Uma verdadeira aula de sentimentos se fazia presente.

Detalhadamente. “Ela está muito insegura”, pensava ele. “Ainda está. Mesmo depois de tudo o que conversou comigo a respeito do que poderia acontecer. Será que a beijo, ou seria melhor dizer que já está tarde e ir embora”?, continuava ele a pensar, enquanto olhava fixamente o rosto de Jakellyne, ao fundo de seus olhos. É possível sentir a ansiedade de Jakellyne juntamente com o sentimento de receio sobre o que seria possível.

Feito! Ele tocou delicadamente a face direita do rosto da garota, também com sua mão direita. Seus dedos se encontravam na nuca de Jakellyne, e se movimentavam de maneira a transmitir-lhe segurança. Seus lábios passeavam sobre a pele de Jakellyne, passando por suas bochechas, seu queixo, e uma longa e suave caminhada por aquele pescoço delicado, que logo perdia as notas de perfume devido ao carinho feito pela língua. Ele afastou seu rosto, olhou-a em uma distância de nariz para nariz, e só assim, quando sentiu um pouco mais de confiança em Jakellyne sobre o que ela queria, ele a beijou da maneira mais carinhosa possível, confirmando seu respeito e cuidado e desejo por ela.

O relógio rodava pelas 02h00min ou 02h30min do primeiro dia de 2011.

Os beijos iniciais aconteciam, da parte de Jakellyne, um tanto quanto envergonhados ainda. Mas o carinho que demonstrava era marcante, extremamente cativante.

Na medida em que os minutos se passavam, Jakellyne se sentia mais a vontade nos braços daquele o qual ela desejava. Ele se sentia feliz por ali estar, naquele sofá, naquela madrugada em clima de paixão, amor e virada de ano.

O desejado amante de Jakellyne tomou-a em seus braços, erguendo-a delicadamente, empurrando seu corpo de forma que terminasse sentada em seu colo. Claro, ele queria sentir o calor do corpo de Jakellyne; e enquanto se beijavam e se abraçavam, com os lábios e línguas passeando pelos pescoços e bocas, ele retirou para os lados o tecido em excesso da saia de Jakellyne, pois ela estava sentada sobre ele, impedindo-o de sentir o calor amoroso e úmido que se formava dentre as pernas da garota. Ela vestia um pequenino short entre a saia e a calcinha. Mas isto não o impediu de sentir toda a sua paixão.

A vontade que ele tinha na ocasião era de aproveitar a posição na qual Jakellyne estava, em seu colo, levantá-la com as pernas cruzadas em sua cintura, e, ainda beijando-a, levá-la até seu quarto que ficava logo ao lado... Deitá-la sobre a cama desfeita, e... E fazer com que aquele tempo se tornasse eternizado, com os sons de suspiros e satisfação sendo traduzidos pelo ruído dos beijos apaixonados, recobertos de cobiça. Ele pensava: “eu te amo, mas não quero que você saiba agora”; “quero você, quero o seu beijo, seu corpo junto ao meu”; “quero você agora, depois, hoje, amanhã”. No entanto, esta sua vontade não fora realizada. Ele não a levou para cama, e nada além do descrito acima aconteceu. Nenhum passo a mais foi tomado.
O relógio rodava pelas 04h00min ou 04h30min do primeiro dia de 2011, e lá estavam eles ainda, se apaixonando mais e mais sobre aquele sofá querido.

Ele possuía um ponto freqüente: “por que ela me pergunta todo o tempo se eu estou chorando? O que ela quer”? Questão esta que ficava sem resposta. “Ela quer-me ver chorar? Por que”? Outra questão na mente dele: “O que ela viu em mim? Será que ela está mesmo certa sobre o que está sentindo e fazendo”? Ele se perguntava estas coisas, pois sentia muito carinho por Jakellyne, e em momento algum, jamais em sua vida, iria querer magoá-la. Porém, fechou novamente os olhos que a vigiavam e prosseguiu com seus beijos e prazeres.

Jakellyne parecia se sentir extremamente feliz com o que estava fazendo, e com quem estava em seus braços e lábios. Sua expressão de satisfação era visível, e deixava-o ainda mais contente com sua decisão. E em certo momento, o abdome, umbigo e cintura de Jakellyne se tornavam palco de um balletto clássico dançado pela lingua do seu amante, enquanto ele precionava os lábios com mordidas suaves pela pele da garota. O cheiro exalado era o perfume das deusas gregas. Um perfume suave, macio, agradabilíssimo que penetrava as narinas e embriagava o corpo de amor. Um perfume de corpo que deveria ser engarrafado e distribuido ao mundo todo para que sentissem o quanto é delicioso, prazeroso. Ela demonstava medo em sentir o prazer de seu amante sobre sua barriga. Claro que estava gostando, mas algo duvidoso em sua mente dizia que aquilo era errado. Por segundos ela esquecia esta “dúvida injusta” e fechava seus olhos para saboriar o quanto aquilo era bom; mas no segundo seguinte, lá estava suas mãos puxando-o de volta, como quem dissesse: “é bom a gente parar”, “deste jeito... não...”, “se você continuar eu não vou conseguir parar também”.
O relógio marcava exatamente 05h39min do primeiro dia de janeiro de 2011. E depois de trocar carícias, beijos, abraços, línguas e lábios pelas bocas, pescoços e barriga, a claridade do dia cobrava seu momento, e os dois amantes, em seus olhares, disseram o mesmo: “está na hora de ir”. Pairava agora um clima de tristeza e contradição por conta da despedida; mas o pedido que Jakellyne fazia a todo instante, “você vai voltar?!, promete que vem me ver”, era instantaneamente respondido com um Sim maiúsculo, certo de que voltaria, e ainda indignado por ir embora.

Enquanto o amante desejado por Jakellyne rumava até sua casa, o pensamento de voltar sempre que possível o acompanhava pela estrada. Um momento grandioso: uma noite maravilhosa com uma pessoa ainda mais surpreendente, e os raios de sol que se faziam presentes... Um contraste perfeito de tons de azul, vermelho e os raios amarelados do astro de fogo misturados as nuvens do amanhecer.

Ele sentia como se estivesse em outro plano de existência; em algum lugar onde não existia a palavra saudade, ou tristeza, sofrimento, nem mesmo o sentimento de saber o que é ser deixado ou deixar alguém para trás. O amante sentia como se estivesse em um lugar onde apenas o sentimento do amor reinava onipotente, completamente tomado pela paixão, ternura e amor sentidos por Jakellyne, a surpreendente garota de cabelo dourado. Ele torcia para que ela também estivesse sentindo o mesmo, e que o calor e desejo nascidos entre os dois nunca deixasse suas mentes, suas memórias.

No dia seguinte... Obviamente, os dois se encontram mais uma vez.

E esta foi a história de Jakellyne e seu amado. Uma pequena amostra do que é possível, e de tudo o que é bom nascido no coração de duas pessoas que possuem um sentimento puro um pelo outro. A história que será lembrada, não importa o que aconteça ou quanto tempo se passe. Esta é a história de Jakellyne.
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