06/10/2014

Eleições 2014 - Isso é só o fim?

Parte 1: Votos paralelos e amarelos.


Eleições 2014: as eleições menos assistidas, menos comentadas, menos decisivas, menos discutidas, menos importadas. O ano que as eleições cumpriram apenas seu papel de "atrapalhar" alguns minutos do domingo das pessoas. Apatia política por todos os lados, das bocas de urna aos votos por protesto. Todos na fila do voto como se estivessem em uma fila de hospital, amarelos, sem vontade, sendo carregados e se arrastando. De escolher o candidato no chão a perguntar o número de "alguém" para alguém.


De sortear o número na cabeça, apertar os botões, se confundir por que esqueceu e anular todos os votos. A minoria é partidária, expressiva, mas, nem tanto. Vira sorte partidária. Voto no susto. Acabou que foi sem querer. Saindo da urna: "para quem você votou"? "Não me lembro. Aquele tal de...".

Todos com a mesma cara de falta de vontade, de cidadania, de esclarecimento. Chamem do que quiser. Todos com a mesma cara, não vendo a hora da "tortura" acabar e voltarem para suas casas para aproveitar o resto de churrasco, da lasanha do domingo.

Agora tem segundo turno para presidente, como se esperava. O medo partidário da situação de ficar para trás Marina Silva (Maria Osmarina Marina da Silva Vaz de Lima) e ascender Aécio Neves (Aécio Neves da Cunha) foi confirmada. Quase dez pontos atrás da atual presidentE, Dilma Rousseff (Dilma Vana Rousseff). Agora é que começa o jogo, o mata-mata.



Esperança nos horizontes brasileiros? Quem sabe?! Continuar mudando para permanecer tudo igual? Talvez. Não é apenas isso o que importa. Não apenas a presidência. Desde as bases, de vereadores, deputados, senadores, desde o copeiro, o pedreiro, o professor... Todos formam a sociedade para a qual e com a qual o novo ou nova presidente governará. Justo ou injusto, bom ou ruim, um dos dois (no caso presidencial), Aécio ou Dilma, terá de ser escolhido como líder por mais 4 anos.

Mas, e aí? E você? Quando aponta do dedo, diz que "vota no menos pior", ou que essa eleição está difícil, pois "não existe um menos pior", qual escolha você faz? Não para eleição, para si mesmo. Qual seu nível de corrupção, de desapego social, de indiferença moral... Apontando o dedo, dando uma de esperto.

Tudo bem. Tranquilo. Para você só resta reclamar de boca vazia, sem nada a dizer, além de umas reclamações de vez em quando, até esquecer o que aconteceu daqui uma ou duas semanas. Ninguém dará importância. Afinal, se importar para que? Sua vida é essa mesmo, e ponto. Continue por aí, nadando de braçada sem dar a mínima atenção, em total inanição.

Cumpra sua função. Trabalhe, cuide de sua família (se é que chama isso de "cuidar), tome sua cervejinha no final do dia, discuta seu futebol e veja as mulheres passando, desligue a novela no fim da noite e vá para a cama. Não dê importância para mais nada. Pode deixar. Deixe que "os políticos" cuidem da política. Não você. Tirando umas reclamações de vez em quando, a vida está uma maravilha, certo? Afinal de contas, para que se importar, não é verdade? Chute alguns números na hora de votar, como se jogasse na sena. Deixe o resto com um bom golpe de sorte bem na boca do estômago e respire fundo quando conseguir. Sua parte você já fez e ninguém pode dizer que não, não é mesmo?
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Não sei bem o motivo, mas todo esse assunto me lembrou a clássica "Só o fim", do Camisa de Vênus. Boa música para acompanhar a leitura. Analogias, interpretações... Tudo bem, é de "86, mas também vale. Enfim. Isso é só o fim.

Só o fim - Camisa de Vênus.